Caconda foi o primeiro município da Huíla a lançar-se na produção do bago vermelho ainda no século XIX, mas a produção caiu com a chegada da independência e agora quase 35 anos depois é retomada.

As sementes, compradas pelo governo da província, foram distribuidas a dez cafeicultores que abraçaram o projecto nas comunas sede e do Cusse.

Em entrevistas à Angop, os produtores manifestaram vontade de continuar a produzir, mas queixam-se das dificuldades de mantê-la, sobretudo devido à carência de água em tempo seco e de transporte para escoar a produção.

Aurélio das Neves, um dos cafeicultores, afirmou que a produção decorre a bom ritmo e que estão animados, mas que é necessário um investimento na irrigação para manter os pés de café vivos no tempo seco.

Disse ter lançado à terra mil pés e já colheu mil Kg nessa fase experimental, mas projecta alargar o campo, já que tem em alfobres outros 600 pés para plantar já a partir de Outubro.

Um outro produtor, Geraldo Lourenço, apontou à necessidade de investir-se em transportes, nem que sejam motos de três rodas para a colheita da produção, como forma de incentivá-los a produzir mais.

“Podemos produzir muito mais, mas falta transporte, temos vontade e terra para cultivar”, disse o agricultor, acrescentando que conta com dois mil e dezoito plantas e quer chegar às sete mil até ao final do ano.

Como mercado da produção, o cafeicultor apontou o Lubango, assim como as províncias do Cunene e Namibe, para onde fez contactos de potenciais compradores.

Já o presidente da associação de camponeses de Caconda, António Kupenala, declarou que há vontade dos cafeicultores em trabalhar a terra, pelo que, para além da semente adquerida no vizinho município de Caluquembe, com produção activa, outros três mil pés vieram do Cuanza Sul.

Por sua vez, o administrador-adjunto de Caconda, Feliciano  Tchivinda, que visitou a produção, fez saber que a reactivação do processo teve um impulso do governador da Huíla, Luís Nunes, mas que a administração abraçou e procura agora tornar o município no maior produtor da província, título hoje nas mãos do vizinho Caluquembe.

Para ele, a massificação da produção do café é um projecto provincial e as autoridades estão a apoiar os produtores para manter o ritmo da produção, sobretudo em ajudar a fazer chegar a água ao campos.

Orientou as administrações comunais do Cusse e de Caconda a encontrarem soluções para que a água chegue aos campos.

A história do aparecimento do café em Angola confunde-se com a do município de Caconda, que ousou em experimentar o cultivo do produto por volta de 1886, para onde colonos portugueses levaram o arbutro.

Caconda dista a 230 quiolómetros a norte do Lubango.

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