O cenário macroeconómico dos documentos orçamentais, entregues hoje no parlamento e obtidos pela Lusa, prevê que a economia cresça 6,1% em 2021, com a inflação a passar de 1,1% este ano para 2,7% em 2020.

“Este regresso ao crescimento resulta do final da incerteza política e do regresso a uma despesa governamental sólida”, nota o executivo na proposta orçamental.

“A previsão da taxa de câmbio indica que haverá uma ligeira depreciação no futuro próximo, o que constituirá uma base global sólida para comerciantes e trará maior competitividade”, refere-se ainda.

Depois de um crescimento médio anual de 6,9% entre 2007 e 2017 a economia não petrolífera timorense contraiu-se 3,5% em 2017, um ano de “desafios que se manteve em 2018 e que afetaram as previsões de crescimento”.

A queda do PIB “real total” (petrolífero e não petrolífero) em 2017 foi de 9,2% para os 2,829 milhões de dólares (a preços de 2015), o que se deveu tanto “à queda no setor não petrolífero (-3,5%) como à queda no setor petrolífero (-15,8%)”, devido à redução no volume de petróleo extraído do Mar de Timor.

Apesar disso, o Governo nota que o “consumo das famílias aumentou 4,1%” considerando que isso mostra “que os níveis de vida continuam a melhorar em Timor-Leste”.

“É esperado que os níveis de vida melhorem à medida que o consumo das famílias regressa às tendências registadas em anos anteriores. O aumento gradual do consumo é fomentado por um cenário de inflação baixa”, refere-se no OGE.

“Este cenário deverá manter-se a médio prazo, tendo em conta as taxas de crescimento regionais, o panorama dos preços globais das matérias-primas e as projeções de taxas de câmbio”, acrescenta-se.

Também o investimento do setor público deverá contribuir “de forma significativa para o crescimento” com projetos de infraestruturas, especialmente nas áreas da educação, saúde e água e saneamento.

A recuperação económica este ano e no próximo, depois de dois anos de contração (2017 e 2018) terá impacto também na receitas domésticas não-petrolíferas, que devem aumentar para 210,5 milhões de dólares.

“Esta tendência positiva é conduzida pelo desempenho macroeconómico positivo do país, melhor desempenho do setor privado, continuação de contratos governamentais de construção e introdução de novos instrumentos fiscais”, refere-se no orçamento.

“É esperado que a receita não petrolífera continue a crescer a médio prazo, devido a uma combinação de melhorias a nível administrativo e de reforma fiscal, bem como da introdução de novos instrumentos fiscais nas atuais expectativas de crescimento económico”, nota ainda.

Entre outros indicadores, na proposta de OGE refere-se uma queda nos empréstimos privados (empresas e indivíduos) que eram em agosto deste ano de cerca de 383 milhões de dólares (347 milhões de euros), longe dos máximos de mais de 600 milhões do final do ano passado.

A taxa de juro média dos empréstimos é de 15,75% por cento.

No que toca ao Fundo Petrolífero (FP), a proposta prevê que o seu valor continue a recuar anualmente, descendo para cerca de 12,4 mil milhões em 2024.

O grosso das receitas do FP será o retorno dos seus próprios investimentos, com as receitas petrolíferas a desceram de 736,5 milhões este ano para 595 milhões no próximo ano, caindo abruptamente para 144,1 milhões em 2021.

O valor das receitas petrolíferas anuais continuará a cair anualmente até chegar a zero em 2024, segundo as projeções do Governo.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.