Um relatório sobre o impacto socioeconómico da COVID-19 na Guiné-Bissau, divulgado pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento, salienta que apesar das boas perspetivas de produção de caju em 2020, o país deverá ter a mais baixa taxa de comercialização em anos devido à pandemia do novo coronavírus e à incapacidade de os agricultores armazenarem a castanha durante a época das chuvas, que começa no final deste mês.

A economia guineense depende da comercialização da castanha de caju, bem como cerca de 80% da população do país. A campanha, que deveria ter arrancado em março, só começou em abril, mas não estão no país os tradicionais compradores do produto devido às medidas impostas no âmbito do combate a prevenção da COVID-19.

Encerradas desde março, as fronteiras da Guiné-Bissau só voltaram a reabrir esta semana, mas as pessoas só podem entrar no país se apresentarem o teste negativo para o novo coronavírus.

Segundo o relatório, apesar do preço de referência da venda de quilograma da castanha de caju ter sido fixado em 375 francos cfa (0,57 euros), os agricultores estão a vender a 200 francos cfa (cerca de 0,30 euros) para "atender às necessidades imediatas de segurança alimentar".

A baixa receita da venda do caju terá um impacto negativo na campanha agrícola, onde a população vai buscar mais dinheiro e alimentação.

"A escassez de liquidez do caju vai afetar a capacidade de os agricultores financiarem a campanha agrícola, incluindo a compra de sementes, recrutar trabalhadores sazonais e alugar equipamento agrícola", refere-se no documento.

As dificuldades que os agricultores vão enfrentar poderão reduzir a produção agrícola este ano e no próximo e "levar a longo prazo a efeitos sobre a já precária segurança alimentar", pode ler-se no relatório.

A diminuição da produção agrícola, segundo o documento, levará também a um aumento das importações e a um aumento dos preços devido à "depreciação da moeda de exportação que é a castanha de caju".

O relatório alerta também que o Programa Alimentar Mundial fornece refeições a 874 escolas das 2.000 existentes no país, beneficiando cerca de 180.000 crianças.

Com as escolas encerradas devido à pandemia, as "dificuldades dos pais em alimentar as suas famílias aumentam".

A Guiné-Bissau regista quase 1.200 infeções por COVID-19 e oito vítimas mortais.

Em África, há 3.790 mortos confirmados em mais de 129 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 357 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.