Na conclusão de uma missão de duas semanas a Moçambique, o FMI manifestou ontem apoio às intenções das autoridades moçambicanas de reforçarem o investimento em infra-estruturas prioritárias de transportes e electricidade, a médio e longo prazo, "num esforço para aumentar ainda mais o potencial de crescimento e exportações" do país.
"Contudo", refere uma nota divulgada pelo FMI, é necessário "garantir que esses investimentos tenham um elevado retorno e ajudem a gerar investimentos adicionais do sector privado" e que as autoridades sejam cautelosas quanto ao endividamento, para "preservar a estabilidade macroeconómica".A missão chefiada por Johannes Mueller esteve em Moçambique entre 15 e 31 de Março, para fazer o balanço dos programas de apoio de políticas (PSI), que se aproxima do fim, e contra choques externos (ESF).
Esteve reunida com o ministro das Finanças, Manuel Chang, ministro do Planeamento e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, governador do Banco Central, Ernesto Gouveia Gove, e representantes do sector privado e da sociedade civil.A economia moçambicana, refere a nota, "continua a ter um desempenho forte", prevendo-se que a taxa de crescimento se aproxime dos 8% a médio prazo, graças ao maior investimento, acelerando face aos 6% do ano passado.
"Uma recuperação da procura externa e entradas de capital, bem como as recentes garantias de doadores quanto ao apoio orçamental, devem fortalecer a balança de pagamentos e consolidar as reservas internacionais", refere a missão.A inflação deverá rondar os 6% a médio prazo, podendo este ano ficar acima desta percentagem, devido à subida do preço dos combustíveis. Face à situação geralmente favorável, a missão apoia a intenção das autoridades abrandarem o plano de estímulo monetário e fiscal lançado no ano passado, na sequência da crise económica internacional.
Este abrandamento, considera o FMI, "vai ajudar a manter a estabilidade macroeconómica" e recuperar margem de manobra para futuros choques. O programa sucessor do actual PSI irá focar reformas para melhorar a administração fiscal e de finanças públicas, a par da gestão da dívida pública, adianta.
OjeLusa
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