"O rating do BAI reflete a probabilidade limitada de apoio por parte das autoridades angolanas; a propensão das autoridades para apoiarem o banco é alta, mas a sua capacidade para o fazerem é limitada, tal como é indicado pelo 'rating' de Angola, B com Perspetiva de Evolução Negativa", lê-se na nota que acompanha a decisão de manter a opinião sobre a qualidade de crédito do BAI.

Na nota, os analistas da FItch Ratings vincam que o Governo tem uma "propensão razoável" para apoiar o banco e o setor bancário, no geral, "porque uma grande proporção dos depósitos em moeda externa são em bancos públicos e no estratégico segmento petrolífero".

Ao mesmo tempo, acrescentam, "a saúde do setor bancário é fraca e os bancos angolanos estão fortemente ligados ao emissor, sugerindo que existe um risco exacerbado de crises sistémicas caso haja um Incumprimento Financeiro do soberano que poria em risco os recursos em moeda estrangeira dos bancos", diz a Fitch Ratings.

A avaliação sobre o banco, colocada em B, abaixo da recomendação de investimento ('lixo', como geralmente é designado) é influenciada "pela fraco ambiente operacional que tem uma grande influência", advertem os analistas, acrescentando que "o ambiente operacional também influencia o modelo de negócio e de expansão do banco", descrito como "um dos principais em Angola, mas com uma carteira de clientes em retração".

O negócio central, para além disso, "é prejudicado pelo foco em investimentos em ativos governamentais com altas taxas de juro e por negócios em moeda estrangeira, o que aumenta a volatilidade do modelo de negócio".

O 'rating' de viabilidade, avaliado em b-, abaixo do 'rating' geral do banco, "também leva em linha de conta o impacto do fraco enquadramento de governação de Angola na estratégia e na gestão do banco", escrevem os analistas, apontando diretamente as ligações entre a elite política e a gestão desta instituição financeira.

"Também questionamos a capacidade da administração do BAI para agir independentemente dada a influência política de grandes clientes, acionistas e outros atores relacionados", lê-se na ação de rating hoje divulgada.

O BAI tem um nível de crédito malparado de 35% no final de junho de 2019, com os empréstimos a representaram apenas 28% dos ativos, e de qualidade fraca, diz a Fitch Ratings, que aponta também que os 20 maiores empréstimos representam cerca de 70% do total.

Na análise, a Fitch Ratings diz ainda que a opinião sobre a qualidade do crédito do BAI "é sensível ao rating de Angola, que está em Perspetiva de Evolução Negativa", por isso "uma subida do rating é improvável e caso o rating da República seja degradado, o mesmo acontecerá ao BAI".

O BAI é um dos seis maiores bancos em Angola, com ativos de cerca 6,6 mil milhões de dólares, cerca de 6 mil milhões de euros, e tem uma participação de 8,5% da petrolífera Sonangol, sendo uma das participações que deverá ser alienada pelo Estado ainda este ano.

De acordo com o site do banco, o BAI tem 147 pontos de atendimento em Angola, sendo onze Centros de atendimento às empresas, nove postos, dois centros de serviços premium e um canal não presencial, o BAI Directo.

Internacionalmente, o banco marca presença em Portugal, BAI Europa, em Cabo Verde, BAI Cabo Verde, e com parcerias que asseguram o negócio BAI em São Tomé e Príncipe.

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