Bernarda Martins falava à imprensa à margem do arranque da 34.ª edição da FILDA, evento que conta com a participação de mais de 370 empresas, das quais 260 nacionais e as restantes estrangeiras, sendo Portugal a maior representação internacional.

"Fundamentalmente, nós gostávamos que a indústria nacional estivesse melhor representada, mas constrangimentos são constrangimentos, desafios são desafios. Tivemos algumas dificuldades para poder pôr aqui alguma representatividade boa do setor industrial, não foi possível, mas temos a certeza que nas próximas edições a indústria vai ser melhor representada", disse Bernarda Martins.

Instada pela Lusa a comentar a variação negativa homóloga de 2,6%, do Índice de Produção Industrial (IPI) em Angola, no primeiro trimestre deste ano, situação que se arrasta desde 2015, a ministra augurou que o quadro se altere nos próximos tempos, tendo em vista "alguns bons investimentos" realizados, apesar dos desafios que devem ser ultrapassados.

"Espera-se que efetivamente se dê um salto, tendo em vista que se fizeram alguns bons investimentos, existem ainda alguns desafios para serem ultrapassados, mas temos mais ou menos a convicção que será melhor", disse.

Segundo Bernarda Martins, os desafios prendem-se fundamentalmente com o ambiente cambial atual, face ao facto de a indústria angolana viver essencialmente de importação de matérias-primas.

"E ainda se assiste a alguma dificuldade no processo de importação para que as empresas trabalhem na sua plenitude, maior parte delas trabalham com as suas capacidades, bem aquém do que são as capacidades reais", frisou.

De acordo com o relatório do IPI dos primeiros três meses do ano, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), esta queda na produção (que abrange quatro setores) foi influenciada sobretudo pela diminuição na produção da "indústria extrativa" de petróleo, gás, diamantes e minerais, em 5,5%.

Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, considerou "natural que o índice venha a baixar", porque o país tem uma economia dependente de importações, em matéria-prima e equipamentos.

"E com a crise petrolífera evidentemente que este fluxo de meios para a industrialização está hoje na ordem dos 30 a 40%", referiu.

Apesar da ligeira subida do preço do petróleo e “do mérito" da desvalorização do kwanza "para um patamar razoável", José Severino considerou que correr apenas "contra o mercado informal, não chega".

"É evidente que isso pode ajudar rapidamente a baixar a taxa da inflação, mas o que sucede é que há um desequilíbrio muito grande entre aquilo que se pagava de Imposto de Consumo e que incidia numa relação de kwanza/dólar, [100 kwanzas por um dólar, até 2014] e hoje está a incidir numa relação de kwanza/dólar [250 kwanzas por um dólar]", realçou.

"Isto exponenciou o Imposto de Consumo, que está a pagar e duma forma que as empresas estão aflitas, ou fogem do imposto ou morrem. Estamos a pedir ao Governo que elimine o imposto de consumo em cascata que hoje é insuportável", frisou.