A Marplastico é a primeira fábrica de produtos plásticos na região sul do país e está instalada na zona industrial da Figueira, que inicialmente tinha como fonte de matéria-prima o exterior,   mas que hoje vive da reciclagem, graças a esse projecto que envolve famílias vulneráveis.

Em declarações à ANGOP o proprietário da empresa, Floriano Vieira Dias, afirmou que têm uma área de reciclagem na fábrica que  usa todo material plástico de polipropilenio, trazendo para si diversos clientes e fornecedores, maioritariamente pessoas que recolhem o produto das ruas.

Avançou terem diversos fornecedores no Lubango, que não são fixos, e têm também um grupo de mulheres do Namibe, que se juntam e trazem para vender resíduos plásticos, entre 30 a 40 toneladas.

Vieira Dias realçou que com esta base, muitas famílias já conseguem alimentar-se e garantir a subsistência.

"Actualmente estamos a receber diariamente 12 a 13 pessoas a fornecer resíduos plásticos. Pagamos por quilograma 180 a 185 kwanzas se for matéria muito boa e se for o que as pessoas denominam por lixo pagamos na ordem dos 120 Kz, por dar mais trabalho na separação, pois tem mais custos para o processo de reciclagem", explicou.

Detalhou que o pocesso de reciclagem do plástico, depois a compra do produto, começa com o descarregamento, passa por uma separação, depois segue para as máquinas de trituração, de derretimento e depois para a de fabrico, um processo que demora quatro a cinco horas, envolvendo 64 trabalhadores, de um global de 110 funcionários.

Disse que a fábrica produz 176 itens diferentes, sem constrangimentos, quer na disponibilidade de matéria-prima reciclável e quer da original, cujo produto final é comercializado maioritariamente no Huambo, Benguela, Namibe e na Huíla.

Por sua vez, o contabilista-gestor da Marivel (armazém), Almeida da Silva, empresa localizada na cidade do Lubango e que também funciona como um entreposto de compra do material para a fábrica, disse que ser uma forma empreendedora de ajudar as pessoas a sustentar as suas famílias.

Neste ponto de compra, segundo o responsável, podem receber até 20 pessoas dor dia, com quantidades diárias que variam de 50 a 200 quilogramas.

Encorajou as pessoas a continuarem com a prática, que contribui para a construção do país, além de sustentarem as suas famílias,   aliados aos empreendedores.

Satisfação dos fornecedores  

Helena Quereto, de 68 anos, estava desempregada e soube das vizinhas que  o armazém da Marivel comprava resíduos plásticos para a fábrica, daí que começou com o ofício há um mês.

Com o dinheiro que ganha, referiu, sustenta os quatro netos órfãos que residem consigo, comprando alimentos e sabão para lavagem da roupa.

Já Manuel Feitas, de 25 anos de idade, afirmou que vende resíduos plásticos, desde a abertura da fábrica e incentiva outros jovens sem emprego a fazerem o mesmo, a fim de não caírem no mundo da criminalidade.

"De lá para cá mudou muita coisa na minha vida, pois não dá para mexer o que é alheio. Nos remediamos nesse negócio. Consigo comprar comida para mim e satisfazer outras necessidades", continuou.

Um outro fornecedor, Isaías de Jesus, 27 anos, trabalha no ramo há um ano e destacou que apesar da vida estar cada vez mais difícil, com o aumento dos preços dos produtos, consegue suportar 25% da alimentação de casa.

Afirmou que o trabalho de recolher plástico nas lixeiras é árduo e difícil. Muitas vezes passam o dia inteiro nas ruas e não encontram material suficiente, que devem reunir numa semana de recolha para ganhar um valor razoável.

"Em vez de 100 Kwanzas, poderiam-nos pagar a 150 ou 200 tendo em conta o trabalho árduo de recolha de plástico", sugeriu.

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