Segundo dados preliminares da firma britânica de transportes marítimos Braemar ACM, cerca de 9,3 milhões de toneladas de soja foram embarcados dos portos brasileiros para a China no mês passado.

A Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove) manteve assim a sua previsão de colheita para 2020, num montante recorde de 123,7 milhões de toneladas, em comparação com 120 milhões, em 2019, apesar do acordo comercial assinado entre Pequim e Washington, em 15 de janeiro passado.

"As vendas para a China continuam a expandir-se", apontou a associação, que reúne as empresas brasileiras que produzem soja, óleo de soja e farelo de soja.

No início de abril, a colheita de soja no Brasil atingiu 83% da área projetada para 2019-2020, segundo a consultora AgRural. Em março, as exportações de soja aumentaram 38%, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Governo brasileiro.

A China é o destino de quase 75% das exportações brasileiras de soja, mas aquele bem está no centro do comércio agrícola entre Estados Unidos e a China, representando quase dois terços das exportações de produtos agrícolas norte-americanos para o país asiático, em 2017, antes do início da guerra comercial.

No acordo comercial "Fase Um", assinado entre os dois países, em janeiro passado, Pequim prometeu comprar pelo menos 80 mil milhões de dólares em produtos agrícolas dos EUA, ao longo dos próximos de dois anos, incluindo 36,5 mil milhões dólares em 2020.

"Por enquanto, a China parece estar a tentar satisfazer toda a sua procura no Brasil, como ocorreu no ano passado", disse, no entanto, o analista Nick Ristic, em comunicado da Braemar ACM.

Até à data, a China comprou pouco mais de 3 mil milhões de dólares, segundo a Federação Agrícola Americana, que representa os agricultores dos EUA.

A compra de soja aos EUA pelo setor privado chinês permaneceu moderada, em comparação com os anos anteriores, apesar de algumas compras significativas terem sido anunciadas na semana passada por clientes estatais, incluindo a Sinograin e o Cofco, segundo analistas citados pelo jornal britânica Financial Times.

Para os compradores chineses, existem ainda incentivos económicos em comprar no Brasil, face à queda da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar norte-americano, e preços de transporte de matérias-primas favoráveis, que tornam a soja brasileira cerca de 23% mais barata do que a norte-americana.

Um montante recorde de colheita de soja no Brasil pode fazer com que o período de exportação se prolongue para além dos meses de primavera e se sobreponha à colheita dos EUA, advertiu ainda Andy Allan, num relatório da Agricensus, uma agência de avaliação de preços.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2019, as trocas comerciais entre os dois países ascenderam a 114.680 milhões de dólares, um aumento de 3,49%, face ao ano anterior, sendo que a China exportou bens no valor de 35.476 milhões de dólares, uma subida de 5,18%, e importou produtos cujo valor atingiu 79.203 milhões de dólares, mais 2,76%.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.