Cerca de 340 milhões de cidadãos de 19 países partilham a mesma moeda: o euro. Trata-se da segunda moeda mais usada no mundo, embora bem atrás do dólar americano. O português Mário Centeno foi eleito como presidente do Eurogrupo, a 4 de Dezembro de 2017, pelos ministros das Finanças da Zona Euro.

Foi a 1 de Janeiro de 1999, que o euro se tornou na moeda oficial de 11 países dos 15 que formavam a União Europeia: Finlândia, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Áustria, Portugal e Irlanda (291 milhões de habitantes no total). A partir desse dia e até 1 de Janeiro de 2002, a moeda pôde ser usada para operações bancárias imateriais, pagamentos por cheque e cartões de banco.

A partir de 1 de Janeiro de 2002, a moeda começou a circular nos bolsos dos cidadãos de 12 países (a Grécia aderiu ao euro em 2001) e o euro converteu-se em “um pequeno pedaço da Europa”, nas palavras do então presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi.

Entretanto, novos membros da UE entraram na Zona Euro: Eslovênia (2007), Chipre e Malta (2008), Eslováquia (2009), Estônia (2011), Letônia (2014) e Lituânia (2015).

A “crise da dívida” na Zona Euro

Em 15 de Julho de 2008, o euro dispara a 1,6038 dólar, o seu máximo histórico, ultrapassando o dólar afundado pela crise das “subprime”. Em Novembro, a Zona Euro entra em recessão.

Em 2010, a União Europeia depara-se com a crise da dívida: Grécia, Irlanda e Portugal são submetidos a pesados programas de austeridade em troca de ajuda financeira.

Em 2012, a jovem história da moeda única europeia quase foi interrompida, devido à crise da dívida soberana que ameaçou abalar o sistema bancário. Isto mostrou as deficiências originais da moeda, nomeadamente a falta de solidariedade orçamentária para a mutualização da dívida e o risco de disparidades profundas entre as economias da Zona Euro.

Depois da ameaçado “Grexit”, o então presidente do BCE, Mario Draghi, conseguiu apagar o incêndio ao afirmar que sua instituição faria “todo o possível para salvar o euro”. Desde aí, o BCE tem um programa para comprar, sob certas condições, um montante ilimitado de dívida de um país atacado nos mercados. Por outro lado, o BCE levou as suas taxas de juros ao nível mais baixo.

Ainda assim, a popularidade do euro está num nível alto. Uma média de 74% dos cidadãos da Zona Euro acredita que a moeda única foi benéfica para a União Europeia e 64% para seu próprio país, de acordo com estatísticas publicadas em Novembro pelo Banco Central Europeu. Já os movimentos populistas anti-UE estão a ganhar terreno em todas as partes do “Velho Continente”.

Em Dezembro de 2018, foi anunciada uma reforma “mínima” da área do euro, com os 19 países-membros a chegarem a um acordo apenas sobre um instrumento orçamental muito limitado. As ideias mais audaciosas, como um ministro das Finanças para a Zona Euro e a criação de um Fundo Monetário Europeu, foram descartadas nos últimos 18 meses de negociações.

“Uma moeda comum não é a panaceia de todos os males”

Manuel dos Santos, eurodeputado socialista português, alerta que “uma moeda comum não é a panaceia de todos os males” e considera que as crises se ficaram a dever, sobretudo, à falta de uma arquitectura institucional da Zona Euro por razões políticas. (Entrevista realizada por Miguel Martins)

 

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