O gestor, que falava em entrevista ao Jornal de Angola, publicada na sua edição de hoje, reconheceu ser importante o regresso destas empresas para  apoiar o sector nacional, ganhar dinheiro, assim como  a elevar fasquia em termos de produção.

Disse ser  uma mais-valia que estas multinacionais entrarem no processo de privatização da Endiama.

“Com a De Beers, temos estado a falar, já esteve presente em Angola, é um parceiro antigo e tem interesse em regressar”, frisou.

Por outro lado, disse que a Endiama pretende entrar em bolsa de valor em 2022.

“Estar na bolsa significa ter transparência absoluta, as contas têm de estar abertas e não podemos ter relatórios de gestão cheios de reservas”, reconheceu o gestor numa entrevista concedida ao Jornal de Angola.

Tem de haver transparência mesmo. Se este é o nosso objectivo, então os problemas devem estar resolvidos até 2022.

Explicou que o importante é que a entrada da Endiama na bolsa não vai pressupor a perda do controlo da parte do Estado.

Nesta entrevista,  afirmou que ainda não está definida taxativamente a percentagem a libertar. Mas tudo aponta para que o Estado continue a deter uma participação não inferior a 70 por cento do capital.

Em relação ao desempenho da empresa lembrou que em 2017 as contas apontaram para um prejuízo, mas já em 2018 o quadro foi invertido e o lucro foi de cerca de sete mil milhões de kwanzas que, na altura, correspondiam a cerca de 22 milhões de dólares.

Para 2019, disse, a estratégia foi manter mais ou menos esta linha de resultados positivos, embora fosse um ano extremamente difícil, de investimentos na ordem dos 90 milhões de dólares (com recurso a fundos próprios).

“Estamos a criar condições para termos uma Endiama mais forte”, disse.

Quanto aos projectos que estão gerar lucros, referiu que o Chitotolo passou por uma mudança radical e está andar bastante bem. O Somiluana também teve uma grande mudança positiva, bem como o Uari.

Porém, disse que no Cuango a empresa não conseguiu superar a onde do fraco desempenho, tendo registado um prejuízo de cerca de cinco milhões de dólares, pese embora a tendência para 2020 é o Cuango regressar aos lucros.

“O Luó vinha com prejuízos acumulados e, infelizmente, quanto mais trabalhasse maior era o nível de endividamento. Neste momento, está em recuperação”, enfatizou, acrescentado que Catoca, o quarto maior projecto diamantífero do mundo a céu aberto continua bem.

Segundo Ganga Júnior, o Relatório e Contas de 2018 mostrava um activo corrente (cerca de 34 mil milhões de kwanzas), mais baixo do que o passivo corrente (cerca de 39 mil milhões de kwanzas) e um fundo de maneio negativo nos últimos três anos, ainda que em recuperação.

“A estratégia é trabalhar. E proceder ao saneamento financeiro da empresa. Devo referir que a própria Endiama estava com um nível de endividamento superior a 500 milhões de dólares. Esta dívida deve ser saneada. Não estamos perante uma situação de falência técnica. Até porque devo referir que temos reservas provadas de diamantes de quase mil milhões de quilates”, sublinhou.

Na entrevista, o presidente falou também dos projectos em curso que vão permitir ao país aumentar a produção, como a mina de Luaxe, irmão de Catoca, por possuir as mesmas características.

Trata-se de um projecto em fase de conclusão da investigação geológica e a meta da Endiama para este ano é criar condições para que, em 2021, o Luaxe possa entrar na fase de produção-piloto.

“A qualidade dos diamantes é razoável, mas a mina tem problemas técnicos que são desafiantes e significativos, nomeadamente, a questão das águas. Ainda requer algum tempo para resolver, porque teremos de fazer um enorme desvio do rio”, esclareceu.

Referiu que enquanto decorrem os estudos complementares, a intenção é construir uma estrutura de tratamento e de produção experimental, para que em 2021 haja uma produção de, pelo menos, quatro milhões de quilates.

“Enquanto isso, vamos criar condições para, no futuro, termos uma estrutura mais ou menos, semelhante à do Catoca, que produz oito a dez milhões de quilates por ano”, disse.

Em relação ao desafio de tornar a Endiama numa empresa de referência mundial, salientou que para serem bons produtores de diamantes, naturalmente devem incidir a sua actuação na produção.

Lembrou que quando assumiu a gestão da empresa pública, a Endiama detinha apenas participações em empresas mineiras. Não tinha operatividade mineira directa

Apenas em 2019 a empresa começou a ter actividade mineira directa. “Neste momento, estamos em dois projectos. Estamos a revitalizar o antigo projecto Luó, que foi reestruturado e agora chama-se Lunhinga. O Luó estava com uma situação económica financeira dramática, com um elevado nível de endividamento (superior a 500 milhões de dólares) e em situação de falência técnica”, disse.

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