"Depois de a depreciação da moeda angolana ter aumentado o valor dos empréstimos em moeda estrangeira ao longo de 2019, acreditamos que uma depreciação mais moderada nos próximos trimestres fará com que o crescimento do crédito abrande gradualmente neste e no próximo ano", lê-se na previsão dos analistas desta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings.

No comentário, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a Fitch Solutions diz também esperar que "uma combinação da fraca qualidade dos activos com um elevado endividamento governamental vá agir como um obstáculo aos empréstimos ao sector privado a curto prazo".

Na nota, os analistas lembram que o crescimento dos empréstimos ao sector privado ficou nos 21,2% em dezembro de 2019 face ao mesmo mês do ano anterior, acima da média de 12,5% registada no total de 2019, mas apontam que "muito deste crescimento se deveu à depreciação do kwanza em mais de 33,5% como parte da transição levada a cabo pelo Banco Nacional de Angola para uma taxa de câmbio determinada pelo mercado, o que deverá abrandar neste e no próximo ano".

Os empréstimos em moeda estrangeira valem quase 25% do total dos empréstimos contraídos entre 2014 e 2019, salienta a Fitch Solutions, que aponta que a fraca qualidade dos activos também vai limitar a 'vontade' dos bancos em facilitar empréstimos no curto prazo.

"Os preços baixos do petróleo e a decrescente produção interna mantiveram Angola em recessão entre 2016 e 2019, com a contracção económica e o aumento do desemprego a reduzirem a capacidade dos clientes cumprirem as suas obrigações financeiras", o que fez com que o crédito malparado tivesse ficado nos 34,6% em setembro do ano passado, bem acima da média de 19,2% registada desde 2014, "o que reflecte um ambiente bancário mais arriscado".

No comentário sobre o sector, a Fitch Solutions alerta ainda que "dada a previsão de recessão de 0,3% este ano e uma curta expansão de 1,8% em 2021, a qualidade dos activos a curto prazo deve continuar baixa quando comparada com os anos anteriores", pelo que, concluem, "os bancos deverão continuar cautelosos na oferta de empréstimos, o que contribui ainda mais para uma moderação do crescimento do crédito" aos particulares e às empresas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.