“Do meu conhecimento há algumas empresas chinesas interessadas”, declarou à Lusa o diplomata, sem especificar os sectores potencialmente mais atractivos, à margem de um seminário em Luanda sobre as relações China-Angola.

“É preciso fazer estudos sobre os projectos de privatizações e depois analisar e depois tomar decisões”, acrescentou, destacando que “são as regras de mercado que determinam o processo de privatizações”.

“O governo divulga os projectos e as empresas analisam”, reforçou.

Gong Tao falou ainda nos “bons resultados” da parceria entre os dois países, destacando o apoio chinês à construção das infraestruturas “que ajudaram ao desenvolvimento económico e social de Angola” e à recuperação do país após a guerra civil que terminou em 2002

“A cooperação bilateral neste momento encontra-se numa nova fase, para um desenvolvimento mais qualitativo”, disse ainda o embaixador, adiantando que a China “está a continuar as suas reformas e abertura” e a acompanha a forma como o governo angolano está também a aplicar as suas reformas

Considerou, por outro lado, que Angola ocupa uma posição geoestratégica “muito importante” em África no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, sobretudo o Corredor do Lobito que vai “melhorar a conectividade entre os países africanos”.

As principais infraestruturas de transporte que integram o Corredor do Lobito são o Porto do Lobito, Caminho-de-Ferro de Benguela, Aeroporto Internacional da Catumbela e os aeroportos provinciais de Benguela, Huambo, Cuito e Luena.

No seu discurso, durante a apresentação do Relatório sobre as relações China-Angola, produzido pelo Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, o embaixador sublinhou que as empresas e trabalhadores chineses “têm realizado infraestruturas em Angola com as suas mãos e suor”, enumerando: 2.800 quilómetros de ferrovia, 20 mil quilómetros de estradas, 100 mil habitações sociais, mais de 100 escolas e 50 hospitais.

Na área comercial, destacou que Angola já exporta sumo e cerveja para a China, que “foram bem recebidos pelos consumidores chineses” e, a nível de transportes, salientou o sucesso do comboio turístico transcontinental que ligou em Julho, pela primeira vez, Dar Es Salam, na Tanzânia à cidade de Benguela, em Angola.

Segundo o embaixador, a viagem teve grande “ressonância da comunidade angolana” e entre os media asiáticos e a China “almeja” ter mais turistas nesta ligação transcontinental “e depois do transporte de passageiros, mais transporte de produtos”.

“Há laços fortes entre este corredor Indo-Atlântico e a China. Quer a ferrovia Tanzânia Zâmbia, 1800 quilómetros, construída de forma gratuita pela China nos anos 70 do século passado, quer a ferrovia de Benguela, 1300 quilómetros, construída com financiamento e empresa chineses são ambas fruto da cooperação sino-africana”, realçou o diplomata.

O relatório hoje apresentado, a primeira cooperação entre a embaixada e uma entidade académica angolana, centrou-se nas oito iniciativas propostas na cimeira de Pequim do Fórum para a Cooperação China-África (FOCAC 2018) e terá uma segunda versão no final do ano.

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