No ‘webinar’ "Financiamento e Investimento na África Austral", organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), Câmara do Comércio e Indústria Luso Sul-Africana (CCILSA) e Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), foi discutido o investimento de privados, em particular europeus, numa região que conta com os lusófonos Angola e Moçambique.

João Luís Traça, da CCIPA, analisou os problemas para a economia angolana que serão colocados, não só diretamente pela pandemia de COVID-19, mas também para a crise do petróleo, que afetou o Orçamento Geral do Estado.

“As previsões dizem que a recessão, pelo menos, estará até 2022.É mais ou menos uma garantia de que a inflação vai estar sempre acima dos 20% e a dívida pública estará a ultrapassar 100% do PIB. O que, para um país como Angola, não é claramente um número positivo”, afirmou durante a sua participação.

João Luís Traça abordou também fatores como a desvalorização do kwanza, “que tem sido sentida por muitas empresas presentes em Angola”, e o desemprego jovem, que se situa atualmente nos 56%.

Ainda assim, o membro da CCIPA defendeu que “os empresários não podem olhar só numa lógica de curto prazo, e, portanto, é preciso olhar para os países e para os mercados em que se está a investir tendo em conta o seu potencial”, considerando que Angola tem, devido à jovem população, “potencial económico e enquanto país de consumo”.

Da mesma forma, João Luís Traça acrescentou que há uma mais-valia na aposta em Angola devido à presença na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), assim como nas alterações à legislação de investimento privado e o próprio programa de privatizações dinamizado pelo Governo angolano.

“Numa nova série de setores, os setores vão ter nova legislação”, e isso “vai permitir a diversificação da economia angolana”, disse.

Ignacio Ramiro, do Deutsche Bank, concordou, acrescentando que “há um desejo do Governo, uma prioridade, de ampliar o setor privado e de desenvolver o setor e diversificar a economia”.

O presidente da CCILSA, o empresário Tim Vieira, apontou que, apesar das atuais dificuldades, “há muitas oportunidades na África do Sul”.

“A África do Sul é de começar a explicar para as pessoas lá de fora que é sério”, afirmou, considerando que é fácil investir no país, havendo condições como “bons profissionais, bons negócios, uma economia (…) bem forte e um mercado bem grande”.

Tim Vieira considerou que a África do Sul está a perder oportunidades para o investimento externo por “não estar a transmitir a mensagem” de que o país está aberto para “receber negócios e pessoas”.

“Temos o Governo a dizer que está aberto a negócios, mas depois não está a produzir o que está a dizer”, vincou.

No ‘webinar’ participaram ainda João Robles, da FCB Advogados, Javier Valero, da Globaltec, e José Carlos Nogueira, da Mota Engil África.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.