José Severino reagia, em declarações à Lusa, às sucessivas greves que têm marcado setores públicos como a Educação, Saúde ou Justiça, que totalizam já pelo menos 34 dias de paralisações desde que João Lourenço subiu ao poder, como terceiro Presidente da República de Angola, no final de setembro.

"Temos um melhor ambiente político, melhor liberdade de expressão. Isto é, a panela fervia, mas estava muito bem tapada. Agora há uma válvula de escape", ironizou o porta-voz dos empresários angolanos, ao recordar a quase ausência de greves no setor público durante a liderança de José Eduardo dos Santos.

Apesar das consequências, também para as empresas, destas várias greves, envolvendo professores, funcionários de Justiça ou enfermeiros, o presidente da AIA assume como positivo, este desenvolvimento.

"É bom porque os problemas que a sociedade tem vêm ao de cima, não ficam aí escamoteados e naturalmente obriga o executivo, neste caso, maioritariamente, a encontrar soluções e a ter uma avaliação da realidade socioprofissional. Porque sabemos que há alguma desregulação, algum nepotismo, uma grande diferença de salários e há necessidade de conhecermos os problemas", apontou José Severino.

A sucessão de greves acontece num período de alguma recuperação económica em Angola, essencialmente devido à subida das receitas petrolíferas, que entre 2015 e 2016 caíram para metade, com o líder dos empresários a recordar que chegou a propor, há três anos, no início da crise, um pacto social, envolvendo o Estado, as associações empresariais e as centrais sindicais.

"Era uma questão de saber para onde o país ia caminhar, quais as medidas estruturantes que iam ser tomadas, porque sem as receitas do petróleo evidentemente que tinha que haver um ajustamento na forma de gerir o país, e também os acordos coletivos de trabalho. Tinha que haver um sincronismo, entre o Estado e os sindicatos, mas não nos deram ouvidos e agora elas [as greves] estão aí", criticou.

Com greves convocadas para os próximos meses em vários setores, José Severino vê a situação com normalidade: "Hoje a gente sabe que há um potencial grevista muito abrangente. Porque quando um setor resolve os problemas, por arrasto, os outros também quererão".

Ainda assim, elogia o atual Governo por ter "dado a cara" durante as várias greves anteriores, com ministros a negociar com os sindicatos.

"É preciso que se ganhe esta maturidade, para se saber negociar com grevistas e não ficarem em posição de força, quando até nem se tem razão", rematou.

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