Isabel dos Santos, com 42,5% do capital, e Fernando Teles, com 37,5%, eram os principais accionistas da instituição, estando, com essa medida, de saída do banco.

Além destes dois, deixaram a estrutura de accionistas Luís Cortez dos Santos, Manuel Pinheiro Fernandes e Sebastião Lavrador, que detinham cada um, 5%, estando os restantes 5% dispersos por outros investidores.

É a quinta aquisição do grupo espanhol desde 2014, e a segunda em Portugal. É também a segunda compra em Portugal em que não revela o preço. Haverá agora uma auditoria aprofundada ao banco português e a necessária autorização dos reguladores, segundo avança o Jornal  Expresso.

Os espanhóis do Abanca chegaram a acordo para adquirir 95% do EuroBic, segundo confirmou o banco liderado por Juan Carlos Escotet em comunicado enviado às redacções. Contudo, o grupo espanhol não revela qual o montante a pagar pelo controlo do banco.

"O Abanca acordou a compra de 95% das acções do EuroBic. O Banco de Portugal foi informado em detalhe dos termos da operação", indica a nota emitido pelo banco com sede na Galiza.

O Abanca não revela, no seu comunicado, com quem fechou acordo para a aquisição. Mas, para chegar àquela participação, os dois maiores accionistas têm obrigatoriamente de vender as suas posições.

No caso de Isabel dos Santos, foi a empresária que colocou a participação à venda, depois das notícias conhecidas como Luanda Leaks e da investigação judicial aberta em Angola à sua gestão na Sonangol.

De qualquer forma, e apesar de Isabel dos Santos já ter assumido que abdica dos seus direitos de voto no banco, ainda é preciso esperar para que a operação se concretize.

Auditoria aprofundada

"O acordo de compra do EuroBic está sujeito, como acontece neste tipo de operações, a um processo de due dilligence e às autorizações das autoridades regulatórias", indica o comunicado.

A due dilligence é uma auditoria aprofundada feita à instituição. Neste caso, terá de olhar para os efeitos reputacionais das notícias reveladas pelo Luanda Leaks, que mostraram transferências polémicas feitas pelo banco e que desencadearam averiguações por parte do próprio banco e também do Banco Central Europeu.

O supervisor liderado por Carlos Costa, na tarde do anúncio, também enviou um comunicado em que lembrou que este é um acordo tendente à venda (chamou-lhe "memorando de entendimento"). "Em conformidade com o previsto na lei e regulamentos europeus aplicáveis, esta aquisição está sujeita à autorização do Banco Central Europeu, em articulação com o Banco de Portugal, uma vez recebida e analisada a informação exigível", sublinhou.

Há uma semana, na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o Abanca já tinha admitido o interesse na aquisição do EuroBic, e tinha ressalvado que só entraria num negócio em que tivesse o controlo, e com maioria qualificada (mínimo de 75%).

O acordo entre os dois bancos e os acionistas foi fechado de forma acelerada, e deixou para trás um grupo de empresários portugueses, em que se encontrava por exemplo João Rafael Koehler e que era coordenado por José Fernando Figueiredo (ex-IFD), que tinha mostrado interesse em comprar o EuroBic, como revelou o Expresso no passado sábado.

Segunda aquisição em Portugal

Na semana passada, o presidente da administração do Abanca e também principal acionista, Juan Carlos Escotet, tinha assumido que o banco tinha capital para fazer a compra e sublinhava que estava disponível para um novo crescimento inorgânico. Novo porque tem sido um repetente neste tipo de operações.

"O Abanca demonstrou com sucesso o seu modelo de integração de outras entidades nas operações corporativas que realizou nos últimos anos. A primeira foi a integração em 2014 do Banco Etcheverría; em 2017, foi realizada a compra de Popular Servicios Financieros; em 2018, o Abanca comprou o [retalho do] Deutsche Bank [em Portugal] e também no mesmo ano comprou à Caixa Geral de Depósitos o seu banco em Espanha, o Banco Caixa Geral", sublinha o comunicado.

"O Abanca é a sétima entidade espanhola por fundos próprios e a entidade financeira líder no noroeste da Península Ibérica", continua, sendo que, em Portugal, está presente em 70 pontos de venda.

A grande maioria destes pontos foi adquirida ao Deutsche Bank num negócio em que o valor da compra também não foi revelado.

Em todos os distritos nacionais, mais 14% de negócios

O grupo espanhol - cujo maior accionista é também o dono do venezuelano Banesco - conseguirá, assim, aumentar de forma relevante a sua presença física em Portugal: o EuroBic tem 184 agências. Como o Expresso noticiou, a operação permite ao Abanca ter agências em todos os distritos, o que não acontecia até aqui.

Com a compra do EuroBic, o Abanca consegue também um crescimento de 14% do volume de negócios (soma de crédito e depósitos). O grupo espanhol “gere um volume de negócio de 85.079 milhões de euros, 36.792 milhões em créditos e 48.286 milhões em recursos de clientes”.

Já “o EuroBic gere um volume de negócio de 11.700 milhões de euros, uma carteira de crédito de 5.199 milhões de euros, e depósitos de 6.148 milhões de euros”. Juntos, passam a ter um volume de negócios de 96.770 milhões de euros.

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