Com o surgimento da crise, o poder de compra de muitas famílias reduziu drasticamente, e o sector produtivo abrandou. Para sobreviver, o Governo e a sociedade ensaiam novas fórmulas para gerar renda e recursos, muitas delas já com resultados palpáveis.

Durante este período (2014-2019), os cidadãos têm optado pela resiliência, para fazer face à fase menos boa da economia. As “startups” (empresas emergentes) vão jogando papel fundamental, por praticarem modelos de negócios ideais para a sobrevivência.

Em Angola, este tipo de comércio, que se processa normalmente com recurso a dispositivos e aplicativos dependentes da internet, surge timidamente.

Basta fazer um estudo rápido ao mercado, para olhar e perceber um indicador animador para os agentes económicos e para os consumidores: já há alguns exemplos de sucesso com as startups.

Estas empresas enfrentam desafios, sobretudo na fase inicial, por se encontrarem num campo de negócio arriscado e incerto.

Dada a conjuntura do surgimento, precisam de financiamento em cada fase do crescimento.

Em virtude da repercussão das startups no "seguimento empresarial" das maiores economias mundiais, alguns governos criam políticas para o seu impulsionamento, com vista à busca de soluções inovadoras para o consumo e aumento do emprego.

Neste particular, o Executivo angolano tem apoiado instituições, como parques tecnológicos, incubadoras e aceleradoras de empresas, porque são capazes de diminuir as possibilidades de descontinuidade das poucas startups existentes. Com isso, elas já dinamizam os sectores da actividade económica.

Um exemplo disso é a TUPUCA LDA, já considerada por analistas do mercado um caso de sucesso no país e uma referência que contrariou as previsões e o sentimento dos mais cépticos.

A empresa presta serviço de entrega de refeições ao domicílio e a locais de trabalho, que já contabiliza uma surpreendente média de 28 mil e 800 entregas/mês.

Hoje, este projecto ganhou forma, espaço, milhares de clientes e, praticamente, já dispensa apresentação.

Segredo e processamento

A chave do sucesso do negócio está na sua componente tecnológica, ou seja, com clicks, uma ligação ou uma mensagem via smartphone. A TUPUCA LDA oferece um serviço inovador em Angola e ganha espaço no mercado de entrega de refeições.

Actualmente, assume-se como a líder do mercado na distribuição de encomendas, sobretudo de comidas, através de um aplicativo informático denominado "Tupuca Driver", que pode ser acedido através de smartphone, tablet ou computador.

Uma vez accionado, o cliente tem acesso ao preçário e ao menu, podendo encomendar, a partir do ponto em que estiver, refeições de qualquer dos restaurantes cadastrados à rede da empresa.

Com esta ferramenta, pode indicar o local onde deseja receber o produto.

A propósito do surgimento destas iniciativas, o economista Olavo Quintas refere que, à semelhança da TUPUCA LDA, há outros exemplos de sucesso em Angola.

Explica que, no país, coabitam mais de uma centena de startups que permanecem robustas e a contribuir, significativamente, para a busca de soluções inovadoras para a satisfação do consumidor.

Informa que alguns autores consideram estes negócios "bases da nova economia", uma vez que, em economias desenvolvidas, chegam a cobrir um pouco mais de 50 por cento da empregabilidade e também por desafiarem o panorama empresarial tradicional.

Embora estável, a TUPUCA LDA, por enquanto, só opera na capital do país.

Em contrapartida, há intenção de os criadores (Erickson Mvezi, Patrice Espírito Santo, Sydney Teixeira e Wilson Ganga) expandirem o negócio de entrega de refeições, com o suporte das novas tecnologias às restantes 17 províncias de Angola.

Particularidade dos serviços

Passados quatro anos desde a sua criação, em 2015, o "TUPUCA Driver" permitiu já a inclusão, na plataforma da empresa, de 129 restaurantes.

Dados indicam que, até ao momento, 66 prestadores de serviços similares estão cadastrados na sua base de dados, variando o custo de entrega entre cinco e 15 por cento do valor da refeição.

A iniciativa tem fomentado o emprego e retirado muitos jovens das ruas e/ou do mercado informal, em particular moto-taxistas, que ajudam a saciar, no dia-a-dia, a fome de centenas de pessoas.

Apesar do sucesso do projecto, os prestadores de serviços passam por muitos riscos para assegurar as entregas, enfrentando estradas perigosas e, muitas vezes, bairros escuros.

Sob intensa correria, o serviço de entrega é feito com motorizadas por 197 jovens espalhados por vários pontos de produção (restaurantes e similares).

É aí que aguardam, a todo o instante, por uma mensagem ou ligação, para entregar, nos tempos indicados, milhares de encomendas de refeições.

Os cálculos da empresa indicam que cerca de 750 a 900 unidades de refeições são entregues regularmente, entre segunda e quinta-feira.

De sexta-feira a domingo, a média é de mil e 200 pedidos correspondidos, a qualquer período do dia.

Os alimentos mais solicitados, nessa altura da semana, são hambúrgueres, grelhados, pizzas e sopas.

A empresa, que se diz pioneira nesta linha de negócios no país, contava, até 2018, com 44 postos de trabalho directos e 100 indirectos.

Com o aumento da procura dos serviços, hoje contabiliza 102 empregados efectivos e 228 "colaboradores", dos quais 197 "estafetas".

Tem parceria com vários fornecedores, entre supermercados e restaurantes, através de uma rede que inclui a Panela de Barro, Pastelaria Bairro Azul, Broadway, Sabores do Oriente, Artburguer, O Madeirense, Pizzaria Bella Nápoles, Marginal Lounge e a Geladaria Gelati.

A rede de "parceiros-fornecedores" desta startup angolana abarca, igualmente, Brasserie Bento, Sukara, Fazendeiro, Inn Churrasqueira, Casa de Chá do Leste, Zenit, Solar dos Néctares, Cantinho do Churrasco, Sandes Cássia, Espaço Gourmet, Churrasqueira Patazanne e Sukara Béu Mar.

Os restaurantes Kook e Mirage, Hamburg’s Miramar, O Convés, Usawa, Chickenista e a Hamburgaria Tia Anny também integram a lista desses inovadores empreendedores.

Contudo, o churrasco angolano é dos mais solicitados pelos clientes desses espaços.

Serviço satisfaz

O serviço da TUPUCA LDA já merece referências positivas de vários consumidores.

Segundo Josefa Hermínio, estes serviços vêm facilitar a compra de refeições rápidas, e, agora, com a inclusão de compras on-line em supermercados e entrega ao domicílio, poupam esforços de quem tem que cuidar do lar e fazer compras.

Já o funcionário público e usuário Adolai Monteiro diz que este tipo de serviços ajuda muito os jovens solteiros, particularmente os residentes nas centralidades, onde ainda não há muitos restaurantes, supermercados, entre outros prestadores de bens e serviços.

Por outro lado, refere, veio facilitar os que trabalham em tempo ininterrupto e precisam de fazer refeições "on Job", bem como aqueles que trabalham de noite e necessitam de uma refeição quente.

Joaquim António é um dos entregadores (Tupukinha) e diz-se feliz com o trabalho.

O profissional conta que estas empresas de entregas de comidas, cartas, documentos e outras encomendas, bem como compras em supermercados e transporte de pessoas, vêm formalizar os trabalhos dos chamados "motoboys".

Em contrapartida, adverte que esse trabalho acarreta riscos, e, por isso, todo o cuidado é pouco.

"Apesar de contribuir para o aumento da empregabilidade, pode facilitar a infiltração de assaltantes, quer de motoboys, quer de clientes da TUPUCA ou de passageiros de moto-taxistas. Por isso, é necessário que todos os entregadores estejam credenciados e uniformizados", alerta.

Afirma, igualmente, que o outro problema é a falta de crença da parte de muitos utentes no negócio on-line.

"Os utentes não acreditam na seriedade do negócio on-line e fazem encomendas de avultados valores para testar a operacionalidade destes softwares, causando prejuízos, principalmente quando se trata de refeições e compras em supermercados", queixa-se.

O tupukinha Gabriel Tsala revela que este emprego lhe permitiu construir a casa própria, sustentar a família e prosseguir com a realização de um sonho: gravar músicas (canta kizomba).

"Correr ou gula de comer" é o significado desse projecto empresarial inovador, que tem como principal actividade a entrega personalizada de comidas.

A TUPUCA LDA tem seis linhas de negócio, viradas para os sectores da Saúde, Bem-estar e Tecnologia e Serviços.

O seu mercado já está conquistado e a sua folha de serviço, bastante preenchida.

A empresa apostou na inovação, acreditou no sonho, atingiu o sucesso e demonstrou que, apesar da crise que "aperta" Angola, nem tudo está perdido.

As sturtups geram renda e promovem emprego para dezenas de famílias, agora menos pressionadas pela falta de trabalho e crentes no nascimento de uma Angola cada vez melhor.

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