O Zimbabué concordou na quarta-feira em pagar 3,5 mil milhões de dólares em indemnizações aos agricultores brancos cujas terras foram expropriados pelo Governo para reassentar famílias negras. A decisão aproxima o país da resolução de uma das questões políticas mais divisórias da era Mugabe.

Como não tem o dinheiro para transferir às famílias expulsas do país, o Governo declarou que pretende emitir títulos de longo prazo e negociar o levantamento de fundos junto a doadores internacionais. Os termos constam no acordo de compensação.

Há duas décadas, o Governo de Robert Mugabe levou a cabo a expulsão de 4,5 mil agricultores brancos e redistribuiu as terras a cerca de 300 mil famílias negras. O modelo de reforma agrária compulsório e controverso ficou marcado por diversos casos de extrema violência. À época, o Governo zimbabuaano argumentava que buscava corrigir desequilíbrios coloniais.

O acordo assinado em Harare propõe que os agricultores brancos sejam compensados pelas infra-estruturas nas quintas e não pela terra em si. Detalhes sobre quanto dinheiro cada família receberá não estão claros no texto. O Governo zimbabueano acrescentou, no entanto, que daria prioridade a compensação de idosos. Os agricultores devem receber 50% da compensação ao fim de um ano e o saldo no prazo de cinco anos.

Os ministro das Finanças Mthuli Ncube e da Agricultura em exercício Oppah Muchinguri-Kashiri assinou em nome do Governo. Sindicatos de agricultores e um consórcio estrangeiro fizeram as avaliações dos eventuais danos e redigiram o acordo.

"Como zimbabueanos, optámos por resolver este questão de longa data", disse Andrew Pascoe, chefe do Sindicato dos Agricultores Comerciais, que representam os agricultores brancos.

As apreensões de terras foram uma das políticas mais marcantes do Governo Mugabe e contribuiu para complicar as relações do ditador com o Ocidente. Mugabe acusava o Ocidente de impor sanções ao seu Governo como punição pelo episódio.

A reforma ainda divide opiniões no Zimbabué. Os opositores da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF) – partido no poder há quase 40 anos – veem-na como catastrófica, porque teria sido responsável por tornar o "celeiro de África” num um país com aguda retração na produção de alimentos. Os apoiantes da ZANU-PF dizem que a política empoderou agricultores negros sem-terra.

O Presidente Emmerson Mnangagwa disse que a reforma agrária não poderia ser revertida, mas que o pagamento de indemnizações seria chave para o restabelecimento dos laços com o Ocidente.

por: Reuters, AP, mp

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