"Estamos todos preocupados com a situação social e económica do país. Evidentemente que conhecemos essas causas, mas aquilo que sentimos é que o modelo que está a ser usado presentemente com o apoio do FMI não é o modelo que interessa para uma criação das bases para o desenvolvimento económico e social de Angola", afirmou hoje Alves da Rocha, em Luanda.

Segundo o economista, que refuta argumentos sobre a falta de alternativas ao actual modelo de recuperação da economia e da estabilização das finanças públicas, a estabilização macroeconómica "é um processo que pode ser adequado crescimento económico".

Alves da Rocha falava hoje na sede da Universidade Católica de Angola (UCAN), em Luanda, durante a apresentação do Relatório Económico de Angola 2018, elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) e orçado em 19 milhões de kwanzas.

Para o director do CEIC, apesar da existência de argumentos de que o fim da estabilização macroeconómica de Angola depende de uma percentagem mínima do rácio da dívida pública, a estabilização "é um processo que converge para a sustentabilidade do crescimento económico".

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma forte crise económica, financeira e cambial devido a queda do preço do petróleo no mercado internacional, maior suporte da economia angolana, com vários reflexos negativos na vida socioeconómica dos cidadãos.

Em consequência desse cenário adverso e para inverter a situação, o Governo angolano assinou com o FMI um programa de assistência financeira orçado em 3,7 mil milhões de dólares , cujo período de reembolso é de 10 anos a uma taxa de juro anual não superior aos 3%.

Um conjunto de reformas, sobretudo no domínio dos impostos, à luz dessa parceria com o Fundo Monetário Internacional tem sido implementado no país, acrescendo a necessidade da eliminação de vários subsídios nos serviços públicos.

O director do Centro de Estudos e Investigação Científica da UCAN recordou na sua intervenção que a economia angolana se encontra num processo de recessão desde 2015, considerando que as reformas em curso, "que deveria acontecer antes, decorrem sob pressão do FMI".

Redução do défice orçamental e do peso da dívida pública no Produto Interno Bruto (PIB) assinalou o economista são os objectivos macros das reformas determinadas pelo FMI, pois, observou, "as consequências sociais desses ajustamentos não são da área de preocupação do FMI".

"Isso foi nos dito, claramente, aqui nesta sala quando fizemos uma reunião com os representantes do FMI em Angola ante a preocupação da deterioração constante e permanente das condições sociais da maior parte da população angolana", rematou.

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