"Esperamos que a média da dívida dos governos na região da África subsaariana em 2019 e 2020 estabilize nos 56%, face aos 37% de 2014, o que reflete parcialmente os significativos esforços de ajustamento em vários países em que a dívida disparou em resposta à queda dos preços das matérias-primas", escrevem os analistas da Fitch num relatório sobre os 'ratings' na África subsaariana.

No documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, a agência de 'rating' lembra que esta subida do rácio da dívida face ao PIB nos últimos anos "significou que o risco de pressões financeiros e dívida problemática aumentou, pressionando os governos para adotarem medidas de consolidação orçamental".

A estabilização da dívida nos 56% do PIB na região em que a Fitch analisa 19 países, entre os quais os lusófonos Angola, Cabo Verde e Moçambique, é apoiada pela "significativa presença do Fundo Monetário Internacional na região", chamado devido ao desequilíbrio das contas públicas originado pela queda dos preços das matérias primas desde o verão de 2014.

"A subida da dívida combinada com um recurso crescente à dívida comercial e a emissões de dívida fez com que os gastos destes países em juros da dívida tenha subido, para uma média de 13% em 2019, com cinco dos 19 países analisados com um rácio superior a 20%, o que sugere que há uma margem limitada em caso de choque", alertam os analistas.

A média de 56% este ano compara com a previsão de 83,8% para Angola, 123% para Cabo Verde e de 100,7% para Moçambique, os três países lusófonos analisados pela Fitch Ratings.

Entre os 19 países analisados pela Fitch, três têm uma Perspetiva de Evolução Negativa, um está com Perspetiva de Evolução Positiva e todos os outros têm uma Perspetiva de Evolução Estável.

A Fitch espera um crescimento de 4,1% este ano, ligeiramente acima dos 4% de 2018, e espera um crescimento um pouco maior em 2020, estimando que as duas maiores economias africanas, a Nigéria e África do Sul, tenham um crescimento em linha com o do ano passado, e antecipam que Angola "consiga simplesmente evitar uma nova contração do PIB em 2020", com o resto da região a dividir-se entre importadores de matérias-primas, que terão um crescimento rápido, e um grupo de exportadores destes materiais que ainda estão a recuperar do choque.

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