"A Fitch espera que a média da dívida pública face ao PIB caia ligeiramente em 2020 [de 56%] para cerca de 55%, mas a forte subida anterior, de 27% em 2012, significa que há pouca margem nos orçamentos caso haja um novo choque externo ou interno", escrevem os peritos desta agência de notação financeira.

"O número de nações africanas em que o pagamento dos juros da dívida representa mais de 20% das receitas, ainda que sem alterações face aos dois últimos anos, continua no valor mais alto desde 2000, representando um significativo risco de 'dívida problemática' ['debt distress', no original em inglês]", acrescentam os analistas.

Na análise aos principais indicadores macroeconómicos previstos para 2020, enviado aos clientes, e que a Lusa teve acesso, a Fitch Ratings reconhece que "os países absorveram já o impacto da queda do preço das matérias-primas", mas salientam que "a má gestão das finanças públicas, as persistentes necessidades de infraestruturas prioritárias e a pressão para melhorar os serviços públicos aumentam os riscos da evolução da dívida pública".

Dos 19 países que a Fitch analisa na região, entre os quais estão os lusófonos Angola, Cabo Verde e Moçambique, apenas dois têm uma Perspetiva de Evolução Positiva, havendo três com uma Perspetiva Negativa, um dos quais é Angola.

Entre os 19 países analisados, a maioria está no nível B, no patamar mais baixo da escala de investimento, "o que reflete as deficientes características estruturais, como os indicadores de governação do Banco Mundial ou o rendimento per capita e, em mais países, dívida relativamente elevada", acrescentam os analistas.

"Angola já implementou grandes reformas, incluindo a reestruturação do setor petrolífero ao abrigo de um programa do FMI desde o final de 2018", notam os analistas, concluindo que "a evolução para uma taxa de câmbio mais flexível pode melhorar os desequilíbrios no mercado cambial, mas também aumenta o rácio da dívida face ao PIB".

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