Dos 71 mercado emergentes analisados entre 1965 e 2016, segundo a evolução do PIB per capita, no relatório "Outperformers: High-growth emerging economies and the companies that propel them" (Acima da média: Mercados emergentes em crescimento acelerado e as empresas que os estimulam), pelo McKnsey Global Institute (MGI), só 18 tiveram um desempenho acima da média.

Os restantes 53 dividem-se entre os que tiveram um desempenho médio (39), com um crescimento anual do PIB per capita entre 0,95% e os 3,5%, e os que ficaram abaixo deste patamar (PIB per capita inferior a 0,95% entre 1965 e 2016)

Os 39 países que apresentaram um desempenho médio são heterogéneos em termos geográficos e de rendimento, representando 26% da população mundial e 13% do PIB global em 2016.

Alguns, os “aceleradores”, aceleraram o crescimento nos últimos anos, mas precisam de demonstrar que conseguem manter o ritmo, entre os quais Moçambique

Outros, entre os quais Portugal, Bulgária, Colômbia, Equador, Egito, Hungria, Marrocos, Roménia, Turquia, Paquistão, são considerados “consistentes”: cresceram, mas não o suficiente para diminuir a diferença face aos Estados Unidos (tendo em conta, o período de análise de 50 anos e o facto de Portugal só ter sido incluído entre os países com alto rendimento em 1996).

Angola está incluída num grupo de países que tiveram um crescimento volátil, que abrange também o Brasil, Argentina, Nigéria ou Irão e que oscilaram entre períodos de crescimento acelerado e outros recessivos.

Na região subsaariana, a mais pobre a nível mundial, apenas um dos 15 países analisados – a Etiópia - conseguiu chegar ao patamar dos países com desempenhos acima da média.

A região caracteriza-se pela falta de ligações a outras regiões e exportações pouco diversificadas. É o caso de Angola ou da Nigéria, onde mais de 90% das exportações correspondem a produtos petrolíferos.

“Melhorar as infraestruturas e tornar a governação mais eficaz para atrair investimento estrangeiro”, são as recomendações do MGI para a região.

Outro país “volátil” que ficou entre os de desempenho médio, o Brasil preocupa sobretudo por causa da dívida.

“Os elevados níveis de dívida ainda causam preocupação”, após a agitação dos mercados financeiros nas economias emergentes em 2013, salienta a consultora, acrescentando que alguns analistas acreditam que a rápida expansão de alguns mercados emergentes está assente num aumento insustentável da alavancagem financeira, encarada como uma ameaça a sua estabilidade económica.

A dívida das empresas emitida sob a forma de obrigações na China e outros países em desenvolvimento, como o Brasil, Chile México e Rússia, disparou, nota o relatório.

O Brasil, com um crescimento médio anual per capita de 2,3%, foi também fortemente castigado pela queda de preços das matérias-primas, que acompanhou a crise financeira global de 2008.

O MGI destaca que os países que ficaram acima da média mostraram ser resilientes face às crises regionais ou internacionais, ao contrário de vários países da América Latina e da Russia fortemente penalizados pelos choques da divida externa, flutuações cambiais ou quebras abruptas no preço das matérias-primas.

Segundo o relatório, o crescimento económico na América Latina foi lento comparativamente a outras regiões em desenvolvimento. A região representa 19% do PIB dos 71 mercados emergentes analisados, mas nenhum dos 15 países analisados mostrou um desempenho acima da média, num período de 50 ou 20 anos.