O interesse foi manifestado pela embaixadora de Cuba em Angola, Esther Armenteros, que falava à Angop, em vésperas da primeira visita de Estado do Presidente de Angola, João Lourenço, àquele país, focada no reforço e na redefinição dos marcos da cooperação entre as duas nações.

Segundo a diplomata, Cuba quer conseguir maior presença de investimentos de empresas angolanas em sectores de interesse para aquele arquipélago, em correspondência com as projecções de desenvolvimento económico e social.

Actualmente, a empresa angolana de peso presente no mercado cubano é a petrolífera Sonangol, cuja actuação deverá ser objecto de reavaliação, com vista à sua adequação aos novos ventos que se pretendem instaurar na cooperação entre os dois países.

A companhia aérea angolana TAAG tem, igualmente, um escritório de representação em Havana e retomou os voos de ligação entre Luanda e a capital cubana, com escala na ilha cabo-verdiana do Sal.

As relações de cooperação entre os dois países circunscrevem-se a vários domínios, nomeadamente militar, defesa, segurança, saúde, educação, ensino superior, petróleos e indústria, com base num Acordo Geral de Cooperação, assinado em 1976, logo depois da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975.

Angola e Cuba passaram em revista essa cooperação durante a XIV Sessão da Comissão Intergovernamental entre os dois países, realizada em Luanda, de 15 a 17 de Abril deste ano.

Quanto às relações, no geral, Esther Armenteros considera que "são fortes" e vão permanecer assim, como um "legado" para as futuras gerações, que devem sentir-se orgulhosas por pertencerem a esses dois povos amigos.

Em relação à cooperação, destaca a educação e a saúde como "os sectores em que a presença de colaboradores cubanos e a cooperação, em geral, são mais apreciadas".

Conforme a embaixadora, mais de dois mil cubanos trabalham nas 18 províncias angolanas, sendo 800 na Saúde e 1.093 na Educação, enquanto mais de dois mil jovens angolanos estão a formar-se em diferentes áreas em Cuba, onde já se graduaram pelo menos oito mil.

No plano interno, destacou as mudanças introduzidas no novo texto constitucional e as esperanças que se abrem na luta dos cubanos pelo progresso.

"O esboço desta nova constituição foi submetido a um processo de consulta popular, em que todas e cada uma das intervenções do povo enriqueceram o seu conteúdo", disse.

Quanto à política externa cubana, designadamente o relacionamento com os Estados Unidos da América, Gisela Rivera sublinhou que "Cuba sempre apoiou esforços na defesa da paz, convicta de que somente o diálogo, a negociação e a cooperação internacional permitirão encontrar uma solução para os graves problemas do mundo".

"Em várias ocasiões, os nossos líderes reiteraram que estamos na melhor disposição para manter um relacionamento civilizado com os Estados Unidos, apesar das nossas profundas divergências ideológicas, mas apenas sob o mais estrito respeito e igualdade soberana, e sem qualquer condicionamento", declarou.

Relativamente à colaboração de Cuba com África, anunciou que mais de cinco mil colaboradores cubanos prestam serviços hoje em diferentes áreas do continente africano e pelo menos nove mil estudantes desta região estudam na ilha.

Acrescentou existirem pelo menos 30 mil graduados africanos que passaram por Cuba, enquanto acima de 350 mil cubanos participaram em campanhas internacionalistas em África e milhares de voluntários civis mantiveram presença no continente berço.

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