"Neste momento, para se ser candidato a observador associado da CPLP tem de se apresentar um plano de ação e um plano de atividades", referiu o embaixador Francisco Ribeiro Telles, em declarações à Lusa, explicando que o objetivo “agora é inovar e concentrar tudo num único plano, que é um plano de parceria”.

A ideia é que, no futuro, o processo de candidatura a observador associado implique, pela parte do estado interessado, "a apresentação de um plano de parceria no âmbito dos objetivos gerais da CPLP, que são a concertação política e diplomática em matéria de relações internacionais, a cooperação em todos os domínios e a difusão e promoção da língua portuguesa", reforçou.

"É isto que o secretariado-executivo vai propor aos Estados-membros" na reunião do grupo de trabalho sobre os países observadores, que se realiza na quinta-feira na sede da CPLP, em Lisboa, afirmou.

Segundo o embaixador, o objetivo é que esta parceria seja, depois, "concretizada através de uma implementação conjunta de iniciativas ou do cofinanciamento de programas, projetos e ações, no âmbito da atuação da CPLP", os quais devem estar alinhados com a estratégia de atuação da organização, sublinhou.

A proposta consagra, desta forma, uma forma de os países observadores poderem dar um contributo financeiro para o desenvolvimento da comunidade dos países lusófonos.

Fora de questão, porém, está a possibilidade, que chegou a ser falada, de os países observadores poderem vir a pagar quotas ou contribuições para a organização, à semelhança do que sempre fizeram os Estados-membros.

De acordo com Ribeiro Telles, desta reunião deverá sair um documento que depois será sujeito a aprovação dos Estados-membros da CPLP e só depois disso será apresentado aos países observadores.

"Portanto, ainda estamos numa fase inicial, mas a ideia é que na próxima cimeira de Luanda [cimeira de chefes de Estado e de Governo marcada para 2 e 3 de setembro] já possa haver uma nova modalidade para a adesão dos observadores associados à CPLP", disse.

Questionado sobre as eventuais contrapartidas para os países observadores dessa ajuda financeira a projetos da CPLP, Ribeiro Telles apenas admitiu que há a possibilidade de "pelo menos, na reunião ministerial, que antecede a cimeira" de chefes de Estado, os países observadores poderem ter "um papel mais ativo".

Face ao "crescimento exponencial dos observadores associados”, a organização vai ter de refletir “até que ponto a CPLP lhes pode ser útil e eles podem ser úteis à CPLP", disse Ribeiro Telles numa entrevista à Lusa em 01 de janeiro, dia em que cumpriu um ano de mandato.

O embaixador já admitiu na altura que esta reflexão deveria conduzir a uma proposta de alteração de estatutos dos países observadores associados que deveria ser levada a aprovação na próxima cimeira de Luanda.

Para o diplomata, os interesses dos países que pretendem ser observadores associados da CPLP são diversos.

Para alguns, a organização é vista "como uma plataforma linguística", como é o caso dos que têm uma comunidade de falantes de português e "querem estabelecer um contacto mais estreito com a CPLP, no sentido de desenvolverem a língua portuguesa nesses países".

O embaixador lembrou que há uma explosão demográfica em África, que "vai criar uma nova centralidade para a língua portuguesa no continente africano", e os Estados "estão atentos a isso".

Para outros, a organização é olhada no "plano político", porque a "CPLP tem tido sucesso também na área da diplomacia internacional", sublinhou Ribeiro Telles.

Já no plano diplomático, o interesse pode ser a rede de embaixadas em África, sobretudo de países do Leste europeu, que não têm este tipo de estruturas.

Depois, ainda há, acrescentou, os Estados que olham para a CPLP como "uma plataforma para estabelecer negócios e parcerias económicas com outros países, nomeadamente africanos".

A CPLP tem 18 países observadores associados e mais uma organização internacional (a Organização dos Estados Iberoamericanos - OEI).

Na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo em Luanda, poderá ser aprovadas as candidaturas, já formalizadas, de pelo menos mais sete países observadores: Roménia, Grécia, Qatar, Peru, Costa do Marfim e Estados Unidos da América e Espanha, acrescentou.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor‑Leste.

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