Numa entrevista à rádio “France Info”, o governante insistiu no facto de que a dívida gerada será paga, “mas mais tarde” e graças “ao crescimento futuro da atividade” económica.

Le Maire disse ainda que aumentar os impostos é recorrer a uma “solução fácil”, repetindo que o Governo francês “não quer fazê-lo”.

Sobre esta matéria, explicou que não restabelecerá o Imposto sobre a Fortuna (ISF), que foi eliminado pelo presidente Emmanuel Macron no início do seu mandato e que é pedido por alguns, sobretudo à esquerda.

O ISF, que abrangia património acima de 1,3 milhões de euros, foi substituído pelo Imposto sobre a Fortuna (IFI), pago apenas por aqueles cujos ativos imobiliários têm um valor superior a 1,3 milhão de euros.

O ministro afirmou ainda que as outras reformas fiscais realizadas por Macron também não vão ser revertidas, em particular a redução dos impostos sobre o capital, pois entende “deram resultados”.

Questionado sobre a possibilidade de anular a dívida gerada para enfrentar o impacto da crise provocada pelo novo coronavírus, o ministro respondeu que isso não será feito, que “a dívida terá que ser paga”, mas numa primeira fase, não de imediato, uma vez que “a prioridade absoluta” é relançar a economia e o emprego.

“Mais tarde chegará o momento de reembolsar a dívida” e isso será feito com “o crescimento”, salientou, sem referir prazos.

No entanto, realçou que a agência de ‘rating’ Fitch alterou a perspetiva, mas não baixou a notação da dívida soberana francesa, que permanece “AA”, lembrando que a agência norte-americana considerou que a economia francesa “tem forças consideráveis”.

O ministro francês disse ainda que está a preparar os planos de apoio para os dois setores mais atingidos pela crise, o automóvel e a aviação.

O primeiro plano será apresentado dentro de quinze dias e o segundo antes de julho.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 313.500 mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (89.564) e mais casos de infeção confirmados (quase 1,5 milhões).

Seguem-se o Reino Unido (34.636 mortos, mais de 243 mil casos), Itália (31.908 mortos, mais de 225 mil casos), França (28.108 mortos, cerca de 180 mil casos) e Espanha (27.650 mortos, mais de 231 mil casos).

A Rússia, com menos mortos do que todos estes países (2.722), é, no entanto, o segundo país do mundo com mais infeções (mais de 290 mil).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou agora a ser o que tem mais casos confirmados (mais de dois milhões contra quase 1,9 milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 123 mil contra mais de 166 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

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