A economia guineense vai sofrer consequências negativas se for decretada uma quarentena obrigatória devido à Covid-19, alerta um economista local.

Ao fim de vários dias de reforço paulatino de medidas de prevenção ao coronavírus, que levou até à suspensão das aulas nas escolas públicas e privadas do país, os dois primeiros casos de Covid-19 foram confirmados pelo Governo em funções na Guiné-Bissau. Os dois indivíduos encontram-se em quarentena, nas respetivas residências. Trata-se de um cidadão congolês, funcionário das Nações Unidas, e de um empresário indiano residente no país.

"Ontem, por volta das 22h, a comissão interministerial esteve na minha casa, na qualidade de primeiro-ministro, para me dar conta de que, de facto, o coronavírus está presente na Guiné-Bissau", anunciou Nuno Nabiam, chefe do Executivo nomeado por Umaro Sissoco Embaló.

Nabiam assegurou ainda que as autoridades e o Governo estão "a trabalhar para estancar esta doença no sentido de não proliferar pelo resto do território nacional".

Umaro Sissoco Embaló convocou para esta quarta-feira (25.03) uma reunião do Conselho de Estado com caráter de urgência para discutir a situação, mas o encontro foi posteriormente cancelado.

Qual o impacto na economia?

O economista guineense Aliu Soares Cassamá prevê momentos difíceis se o Executivo decidir reforçar as medidas e decretar uma quarentena obrigatória.

"Há muito tempo que a nossa economia tem apresentado um défice na balança comercial. Ou seja, importamos mais e exportamos menos", lembra. Caso a decisão de colocar toda a população em quarentena siga avante, isso poderia conduzir o país a uma inflação galopante. "Sabemos que os agentes económicos não têm poder de compra devido à paralisia total do Estado, e esta situação irá complicar ainda mais a debilidade económica que o país atravessa", explica Cassamá.

Antes dos casos serem confirmados, já tinham sido tomadas medidas pelo Governo de Nuno Gomes Nabiam, que ordenou o encerramento das escolas, discotecas, igrejas e mesquitas e ainda a suspensão de todas as atividades em que há aglomerações de pessoas.

Esta quarta-feira, foi também suspensa a circulação dos Transportes Urbanos de Bissau (TUB), conhecidos como 'toca-toca', mas os táxis continuam a funcionar, podendo transportar no máximo dois passageiros.

Que medidas tomar nas prisões?

O assistente social Sana Fati defende que como medida de prevenção, as autoridades nacionais devem olhar também para os reclusos e centros prisionais.

Fati sugere que, para aqueles que estão em prisão preventiva e cujos crimes não são de sangue, a medida alternativa seja "mandar essas pessoas para casa, reduzir o número de reclusos nas celas, para impedir que haja aglomeração na prisão". Esta situação acontece, por exemplo, "no caso da Polícia Judiciária, que tem o centro de detenção superlotado", denuncia.

Com a confirmação, esta quarta-feira, dos dois primeiros casos de Covid-19 na Guiné-Bissau, aumentou visivelmente a preocupação das pessoas, que não param de apelar nos órgãos de comunicação e nas redes sociais a uma mobilização nacional para o combate à doença.

por: Iancuba Dansó (Bissau)

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