O fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros, proposto esta quarta-feira (27.05.) pela Comissão Europeia, é um "avanço europeu para fazer face a uma crise sem precedentes", escreveu esta quarta-feira (27.05.) o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, na rede social Twitter.

É o maior plano de recuperação proposto por Bruxelas na história da União Europeia (UE). Caso seja aprovado pela totalidade dos Estados-membros, os países mais afetados pela pandemia da Covid-19 teriam à disposição uma linha de salvação - a maior parte (500 mil milhões de euros) seriam subsídios a fundo perdido. O restante dinheiro (250 mil milhões) seria disponibilizado na forma de empréstimo.

É uma "quantia justa", afirmou já Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália, um dos países europeus mais afetados pela pandemia. "Agora, vamos acelerar as negociações e disponibilizar esses recursos brevemente", afirmou.

Possíveis obstáculos

O fundo de recuperação, denominado "Next Generation EU" (Próxima Geração UE), seria financiado com a emissão de dívida europeia, contraída pela própria Comissão, com garantias dos Estados-membros.

"Deixem-me ser clara: estas subvenções são um investimento comum no nosso futuro. Não têm nada a ver com o endividamento do passado dos Estados-membros. Serão atribuídas através do orçamento comunitário [...] e constituirão investimentos claros nas nossas prioridades europeias, como o fortalecimento do mercado interno, a digitalização e o Pacto Ecológico", afirmou esta quarta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O plano de recuperação de Bruxelas não deverá ser visto com bons olhos pelo grupo dos chamados países "frugais" - a Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca - que se têm manifestado contra a atribuição de subsídios a fundo perdido e preferem que se conceda empréstimos, mediante condições.

No entanto, ao apresentar a proposta para o fundo de recuperação, a presidente da Comissão Europeia deixou um apelo: "Deixemos de lado os velhos preconceitos e redescubramos o poder que vem deste objetivo comum de sair desta crise."

Vários países europeus já entraram em recessão técnica na sequência das restrições às atividades económicas com a pandemia da Covid-19.

A Alemanha, a maior economia europeia, encolheu 2,2% nos primeiros três meses deste ano. O Governo federal alemão estima que a contração atinja os 6,3% este ano.

As economias de países como a Itália e a Espanha, dois dos mais afetados pela pandemia da Covid-19, também ficaram bastante fragilizadas: O Produto Interno Bruto (PIB) italiano deverá contrair este ano 9,5% e o espanhol cerca de 9,4%, de acordo as previsões da Comissão Europeia.

Na semana passada, ao apresentar a proposta franco-alemã para a recuperação das economias europeias (através de subvenções a fundo perdido no valor de 500 mil milhões de euros), o Presidente francês, Emmanuel Macron, sublinhou que é urgente combater a recessão de amplitude histórica no continente.

por:content_author: gcs, com agências

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