O Banco do Povo Chinês (banco central) reduziu a taxa referencial para créditos de 4,15% para 4,05%, visando aliviar o impacto económico causado pelo novo coronavírus, noticiou a agência oficial Xinhua.

A redução na taxa média de empréstimos que os bancos comerciais oferecem aos melhores clientes diminui os custos de financiamento para as empresas chinesas, à medida que lidam com a interrupção causada pelo surto.

Pequim lançou ainda dezenas de outras medidas para apoiar as empresas mais afetadas pela epidemia, incluindo empréstimos no total de 300 mil milhões de yuan (quase 40 mil milhões de euros) para as grandes empresas e alguns bancos das províncias mais atingidas, incluindo Hubei, centro do surto.

No entanto, analistas previram já uma queda acentuada na atividade económica este ano. A Standard Chartered estimou que a economia chinesa cresça 2,9%, no primeiro trimestre do ano, cerca de metade, em comparação com igual período do ano anterior.

Num relatório, a consultora Capital Economics considerou que a redução da taxa de juros vai servir como balão de oxigénio para empresas que estão a sofrer o impacto da crise de saúde pública.

"Os cortes são apenas um alívio parcial para os milhões de pequenas empresas que mais sofrem com a epidemia e recebem pouca atenção do setor bancário", apontou o economista Julian Evans-Pritchard.

Segundo o analista, um terço dessas empresas pode ficar sem dinheiro nas próximas semanas, a menos que retomem a atividade.

As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei, no centro do país, para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

Milhões de trabalhadores deviam ter já regressado das suas terras natais, mas a rápida propagação do vírus levou muitos a permanecerem em casa, impedindo a reabertura de fábricas e negócios, com consequências imprevisíveis para o tecido empresarial da segunda maior economia do mundo.

O coronavírus Covid-19 provocou 2.118 mortos na China continental e infetou mais de 75.000 pessoas a nível mundial.

A maioria dos casos ocorreu na China, onde o novo vírus foi detetado no final de 2019, na província de Hubei, a mais afetada pela epidemia.

Além de 2.118 mortos na China continental, morreram três pessoas no Japão, duas pessoas na região chinesa de Hong Kong, duas no Irão, uma nas Filipinas, uma em França e uma em Taiwan.

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