"O Instrumento de Mitigação do Impacto no Comércio da Pandemia (PATIMFA, na sigla em inglês) vai fornecer financiamento para ajudar os países-membros do Afreximbank a ajustarem-se de forma ordeira aos choques financeiro, económico e dos serviços de saúde causados pela Covid-19", lê-se num comunicado do banco enviado à agência de notícias Lusa esta quarta-feira (25.03).

No documento, a instituição financeira liderada por Benedict Oramah explica que o valor de cerca de 2,7 mil milhões de euros servirá para "apoiar os bancos centrais dos países-membros, e outras instituições financeiras, a cumprir pagamentos de dívida e a evitar incumprimentos financeiros, estando também disponível para apoiar e estabilizar os recursos cambiais dos bancos centrais, financiando as importações fundamentais em condições de emergência".

A verba, decidida na reunião da administração do banco na sexta-feira passada (20.03), vai também permitir compensar a quebra nas receitas de exportação e facilitar a importação de "bens urgentes para combater a pandemia, incluindo medicamentos, equipamentos médicos e remodelações hospitalares".

No comunicado, o banco explica ainda que este instrumento de financiamento "vai estar disponível através de financiamento direto, linhas de crédito, garantias, trocas cambiais" e outras modalidades financeiras.

Impactos da pandemia

"Além do preocupante efeito na vida humana, a pandemia deverá custar 1 bilião de dólares à economia global e resultar num declínio de 0,4 pontos percentuais no crescimento do PIB mundial, que deverá cair de 2,9% em 2019 para 2,5% este ano", disse o presidente do banco, citado no comunicado.

"O continente africano está exposto em muitas frentes, incluindo em quebras significativas nas receitas do turismo, redução das remessas, preços das matérias-primas e perturbações na cadeia de produção de bens, por isso é necessária uma rápida e significativa resposta financeira para evitar uma grande crise em África", acrescentou o banqueiro.

Num relatório divulgado também esta quarta-feira (25.03), o departamento de estudos do banco africano Standard Bank alertou que as economias da região vão sofrer depreciações na moeda e um aumento das taxas de juro cobradas pelos investidores nas emissões de dívida.

Depreciação

"Um grande número de moedas na nossa análise já se depreciou mais de 3% no último mês, e a curto prazo algumas devem depreciar-se ainda mais", lê-se no relatório deste mês sobre as economias africanas.

No documento, os economistas do Standard Bank dizem que "a combinação da pandemia de Covid-19 e a queda dos preços do petróleo já empurrou os juros da dívida para cima, e a pressão ascendente é uma clara demonstração de que os mercados encaram com apreensão a posição orçamental de alguns Governos".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 18 mil. O continente africano registou 58 mortes devido ao novo coronavírus, aproximando-se dos 2.000 casos em 45 países e territórios, segundo as estatísticas mais recentes. Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena, estado de emergência e o encerramento de fronteiras.

por:Agência Lusa, tms

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