Falando à imprensa, no final da visita do embaixador chinês em Angola, Gong Tao, ao CFB, no Lobito, província de Benguela, Luís Teixeira prevê que, com a chegada dos vagões, o transporte de mercadorias aumentará de 94 mil toneladas/ano para mais de 300 mil toneladas, incluindo o tráfego internacional, onde se destaca os minérios extraídos nas regiões de Katanga, na RD Congo.

“Já foi feito o primeiro protótipo do vagão (…). Vai ser analisado pelos nossos técnicos e a seguir irá ocorrer a produção em série para o fornecimento ao CFB”, revela. E acrescenta: “Numa primeira fase estão previstos 300 vagões, mas queremos chegar às mil unidades”.

Olhando para o transporte de mercadorias como vital para maior rentabilidade da empresa, o responsável disse que a expectativa é de mais receitas, com o primeiro lote de vagões de cargas, já que, a seu ver, haverá melhorias da produtividade e produção na cadeia do transporte ferroviário.

O presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Benguela adiantou que o tráfego internacional está, neste momento, a necessitar de “mais” vagões, daí o interesse da empresa em negociar estes investimentos, através da cooperação com as empresas chinesas.

Luís Teixeira acredita que o tráfego internacional será doravante mais completo com o incremento de novos vagões e explica que estes irão transportar não só minérios, nomeadamente cobre e manganês, mas também todo o tipo de mercadorias.

Sem avançar nem datas, nem o montante a ser investido na aquisição dos novos equipamentos, Luís Teixeira fez saber apenas que estes vagões serão pagos através de descontos no frete, uma vez que a empresa Sinotrans é cliente do CFB e também tem participação nas minas do Congo.

“Estamos em contacto com o nosso cliente para o fornecimento o mais depressa possível”, contou, explicando ainda que as unidades vão ser fabricadas ajustadas à “bitola” da linha do Caminho-de-Ferro de Benguela, e não da China, para evitar constrangimentos na circulação.

Com uma linha férrea de 1344 quilómetros de extensão, desde o Lobito, em Benguela, ao Luau, na província do Moxico, leste de Angola, na fronteira com a RDC, o Caminho-de-Ferro de Benguela já transporta, embora a meio-gás, o minério até ao porto atlântico do Lobito, nos termos de um acordo de cooperação assinado em 2017 com a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro do Congo (SNCC).

A linha do CFB está ligada à dos Caminhos de Ferro do Baixo Congo, sobre a ponte do rio Dilolo, desde 1 de Maio de 1931, para dar resposta à necessidade das empresas congolesas das zonas de mineração de aceder ao porto do Lobito, para exportar para o mercado internacional, por via marítima, o minério extraído no interior daquele país encravado (sem acesso ao mar).

Em 1974, no fim do período colonial português, o tráfego internacional já era responsável por 90% das receitas do CFB, com uma capacidade anual de transporte de 10 milhões de toneladas.

A reabilitação e modernização da linha férrea do CFB está a cargo da empresa chinesa China Railway – 20, conhecida como “CR-20”. Embora este processo anda não se encontre terminado, a retoma da circulação ferroviária está já a permitir o transporte de passageiros e de mercadorias, a melhorar o escoamento de produtos agrícolas e o incremento das trocas comerciais entre as províncias do Planalto Central (Huambo e Bié) e do Moxico.

O CFB tem 67 estações do Lobito ao Luau, na fronteira com a RD Congo, e uma frota com 56 locomotivas, das quais 48 adquiridas à multinacional norte-americana General Electric (GE Transportation), e 66 carruagens, entre a 1ª, 2ª e 3ª classes.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.