O estreitamento de relações comerciais e estratégicas com um importante parceiro é um dos contributos que os partidos com assento parlamentar antecipam da visita do Presidente da República a Angola.

A generalidade dos partidos alerta, contudo, que a visita não se deve resumir à economia.

 “Angola é um dos nossos principais parceiros comerciais (…) e é um dos pontos de destino de muitos portugueses”, observou o deputado do PSD José Cesário.

Para o deputado, membro da comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, a visita de Cavaco Silva a Angola, de 18 a 24 de julho, “poderá permitir acelerar o desenvolvimento de alguns dossiês e abrir portas” num país em que o Estado “tem ainda forte presença na economia.

José Cesário defendeu, no entanto, que a economia não deve secundarizar a dimensão política e cultural da visita, até pelo papel que Portugal e Angola podem conjuntamente desempenhar na promoção e dinamização internacional da lusofonia. 

Já, para o deputado do PS Paulo Pisco, a visita presidencial pode, em paralelo com a ação do Governo, contribuir para a economia nacional.

“Todos os mercados externos nesta altura de crise económica muito acentuada em todos os países da União Europeia são fundamentais para criar âncoras inclusivamente no nosso país. Sendo a projeção externa da nossa economia e das nossas empresas uma das formas de contrariar a dificuldade que se passa internamente através da procura, todos os países emergentes que estão com grande crescimento podem dar uma grande ajuda à economia nacional”, disse.

A importância da visita em matéria de “diplomacia económica” é também destacada pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral, para quem os dois países “têm muito a ganhar se tiverem uma cooperação alargada nos mais variados níveis, despojada de qualquer preconceito

“Hoje Angola está no topo das nossas exportações, os interesses angolanos em Portugal são também relevantes e, portanto, julgo que os dois países podem olhar um para o outro como dois povos com uma história comum, mas acima de tudo com grande possibilidade de fazer um trajeto comum de sucesso”, notou.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, disse esperar, no entanto, que aspetos como os Direitos Humanos não fiquem à margem da visita presidencial.

“A política externa portuguesa tem investido de forma prioritária na chamada diplomacia económica (…) no caso vertente, o BE espera que essa motivação não sirva para ignorar aspetos que têm que ser muito importantes na política externa portuguesa, seja com Angola ou outro país, designadamente a exigência de respeito pelos Direitos Humanos e pela democracia”, referiu.

José Manuel Pureza defendeu, de resto, que da visita a Angola (que inclui no dia 23 uma cimeira de chefes de Estado e de governo da CPLP) resulte a definição de “critérios rigorosos” de “pertença à CPLP”.

O PCP encara, por seu turno, como “natural” a deslocação de Cavaco Silva, mas observa que as relações entre os dois países “não se devem cingir nem ser exclusivamente determinadas por interesses económicos, devendo contribuir para o desenvolvimento dos laços de cooperação e amizade entre os povos angolano e português em diversas áreas” – refere o partido, em nota de imprensa.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

    Lusa/fim        

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