Antes da revisão, a petrolífera brasileira planeava investir o montante de 64 mil milhões de dólares (54 mil milhões de euros) no mesmo período.

Agora, além de diminuir os investimentos, a empresa também planeia vender mais ativos para enfrentar a crise sanitária gerada pelo novo coronavírus.

A forte redução dos investimentos foi anunciada num comunicado que a estatal petrolífera dirigiu ao mercado na noite de segunda-feira, informando que teria de rever os seus projetos de exploração e aproveitamento “face à crise provocada pela covid-19″.

A pandemia provocou uma forte queda na procura mundial por combustíveis, seguida da queda dos preços. No Brasil o fenómeno provocou uma grave crise, que por sua vez contribuiu para uma expressiva valorização do dólar em relação ao real, a moeda do país sul-americano.

A crise obrigou a Petrobras, empresa controlada pelo Governo – que tem ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova Iorque e Madrid -, a rever os seus projetos de exploração e aproveitamento de petróleo para dar prioridade aos negócios mais rentáveis.

Como consequência, a petrolífera reviu o Plano Estratégico de Investimentos, com a empresa a projetar que os seus investimentos no período entre 2021 e 2025 serão menores em parte devido à valorização do dólar, que reduziu os seus custos em reais e lhe deu maior margem de manobra.

A Petrobras também explicou que focará os seus investimentos em projetos de produção no pré-sal, nome dado às maiores reservas do país que estão em águas muito profundas do Oceano Atlântico abaixo de uma camada de sal de dois quilómetros de espessura que pode tornar o país um dos maiores exportadores mundiais de hidrocarbonetos.

As gigantescas reservas descobertas no pré-sal e a tecnologia que permite à Petrobras reduzir significativamente os custos de produção em águas muito profundas tornaram esse horizonte mais lucrativo para a empresa.

Assim, a revisão de investimentos “visa maximizar o valor do portfólio de exploração e aproveitamento da empresa com foco em ativos de classe mundial em águas profundas e muito profundas”, explicou a empresa num comunicado.

Segundo a petrolífera, os ativos do pré-sal, principalmente do campo de Búzios – maior produtor de petróleo do país – terão maior importância no portfólio da empresa e ficarão com cerca de 71% do investimento total em exploração e exploração entre 2021-2025

Antes de revisar o plano estratégico, a Petrobras pretendia destinar para o pré-sal 59% dos investimentos no referido quinquénio.

“Os investimentos nestes ativos de classe mundial, dos quais somos naturalmente detidos, estão em linha com os nossos pilares estratégicos e são mais resistentes aos preços mais baixos do petróleo”, afirmou a empresa.

A Petrobras afirmou ainda que, junto com a revisão de sua carteira de investimentos voltada para o pré-sal, também decidiu incluir novos ativos em seu ambicioso programa de desinvestimentos, mas não esclareceu quais campos de petróleo colocará à venda.

A revisão do plano estratégico também levou em consideração as novas projeções do preço do petróleo da empresa para os próximos anos e a sua meta de reduzir a dívida bruta para 60 mil milhões de dólares (50,6 mil milhões de euros) até 2022.

A empresa informou que no final de novembro anunciará o impacto que a revisão de investimentos terá sobre as suas metas de produção nos próximos anos.

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