Em declarações à Angop, o presidente da referida associação, Bernardo Kalianguila, disse que adquirem geralmente o material de pesca no mercado informal e a preços exorbitantes.

O líder associativo considera ser um paradoxo, que um município conhecido a nível do país como rico em peixe não possua uma única loja de venda material de pesca.

“Precisamos de material de pesca, como motores de navegação, redes (malhadeiras), anzóis, bóias, câmaras frigoríficas para conservação do pescado, bússolas e gps”, informou.

Lamentou o facto da lota construída no município para apoio a pesca artesanal continuar fechada, sem que as autoridades digam o que se passa.

Explicou que a técnica utilizada pelos filiados envolve o uso de anzol e malhadeira, sendo que, no mercado paralelo, por exemplo, cem anzóis para pesca da espécie cachuco custam actualmente mil kwanzas.

Relativamente aos equipamentos de apoio à navegação, referiu que a maioria dos pescadores os possui, nomeadamente bússolas ou gps, mas reconheceu haver alguns que navegam sem esses meios, constituindo um grande risco.

“Esses equipamentos são caros e nem todos têm capacidade financeira para adquiri-los. Temos ainda alguns pescadores tradicionais que se guiam apenas pelo sistema ensinado pelos seus antepassados, como o reconhecimento de determinadas montanhas ou através de determinadas manobras empíricas”, admitiu.

Segundo o responsável, desde 2007 que a associação não recebe qualquer tipo de apoio por parte do sector da Pescas.

Quanto a relação com os pescadores semi-industriais, disse ser irregular, com momentos bons e maus. “Muitas vezes entramos em conflito porque deixamos as nossas malhas nas milhas permitidas e eles chegam e as arrastam sem nos comunicar”, reforçou.

Na mesma senda, adiantou que os armadores semi-industriais devem pescar das duas milhas em diante, o que nem sempre acontece. “Há ocasiões em que eles violam o nosso espaço e nós informamos a capitania e outras autoridades marítimas, sem que nada aconteça”, disse.

Bernardo Kalianguila realçou que os armadores não colaboram com os pescadores artesanais quer em termos de transferência de pescado como de equipamentos.

“Até o peixe sardinha, que nós usamos como isca e que eles pescam em grandes quantidades, hoje não nos fornecessem”, exemplificou.

Destacou que, actualmente, já não se verifica muitos casos de pesca de arrasto, mas que um caso ou outro ainda acontece.

Por outro lado, admitiu que a grande maioria dos pescadores não possui documentos de identificação pessoal ou licenças para o exercício da actividade piscatória.

“ A Baía Farta tem cerca de 10 cooperativas de pescadores artesanais que controlam aproximadamente mil e 500 pescadores e 600 embarcações. Garanto que a maioria desses pescadores não tem Bilhete de Identidade e menos de metade das embarcações tem licença”, enfatizou.

Por isso, solicita o apoio do sector da Justiça na província, através da criação de brigadas móveis, para se ultrapassar esse problema.

No passado, os pescadores artesanais da Baía Farta capturavam acima de 300 toneladas por mês, fundamentalmente do tipo merme, mas actualmente pescam cerca de 25 toneladas/mês, fundamentalmente de cachucho, embora ainda apareça, em pequenas quantidades, as espécies calafate, ferreira, agulha e charro.

As mudanças climáticas e alguma má gestão dos recursos marinhos têm sido apontadas como as causas mais prováveis da redução do pescado na região.

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