Os referidos projectos, ligados ao apoio agrícola, cidadania, diálogo entre as administrações e as comunidades, monitoria de políticas públicas, programas de desenvolvimento local sustentável, autarquias entre outros, beneficiaram 54 mil famílias, onde 60 % são mulheres rurais.
Ao falar na conferência Nacional sobre os Direitos da Mulher Rural e Desenvolvimento com o tema “Garantia dos Direitos da Mulher Rural: um factor de desenvolvimento sustentável”, MariaTeresa Victória sublinhou ser necessária a conjugação de esforços entre todos os actores estatais e não estatais, para que as políticas públicas a favor da mulher sejam realmente exequíveis e contribuam no fortalecimento da capacidade de defesa dos seus direitos e à prática do exercício da cidadania.

Já a secretária de Estado da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ruth Mixinge, realçou a importância da mulher no desenvolvimento do sector agrícola.
Salientou que o Ministério, no âmbito das suas atribuições, além de outros projectos, desenvolve o projecto de empoderamento da mulher, onde trabalham com a mulher rural na perspectiva de incentiva-las cada vez  mais a criar as associações, cooperativas agrícolas, “bem como transmitir a mulher que ela também é capaz de líder”.
Ruth Mixinge considera ser essencial continuar a fazer advocacia para que os outros sectores se mobilizem para responder as necessidades das associações, pois todos procuram os mesmos objectivos, que passa na materialização do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018/2022).
“Contribuirá no processo de diversificação da economia através da activação, realização da agricultura e da indústria transformadora para poder transformar os produtos, impedindo que muitos produtos agrícolas possam estragar nos campos por falta de escoamento”, sublinhou.
Já Adriana Jamba, representante das mulheres rurais, reconheceu os esforços desenvolvidos pelo Governo para melhorar as condições de vida, apesar de algumas dificuldades como ter acesso aos equipamentos, sementes, adubos para cultivar.

“Pensamos nós que o crédito agrícola, com o acompanhamento de mais técnicos da Estação de Desenvolvimento Agrícola (EDA), poderia nos ajudar a diminuir estas dificuldades”.

Adriana Jamba aponta que outra situação são as estradas secundárias e terciárias que “não estão boas, precisam ser melhoradas, para nos facilitar vender os nossos produtos a um bom preço, outra coisa é a reabilitação dos açudes e vala de irrigação para cultivamos todo ano, sem esquecer a necessidade de aumentar professores e enfermeiros nas  comunas”.

A representante das mulheres rurais solicita o envolvimento de mulheres rurais aquando da elaboração dos programas públicos, para que elas possam contribuir.

Em relação às autarquias, Adriana Jamba, defende “quando se aprovar as leis e o material de educação devem ser traduzidas nas línguas locais”.

A Conferência Nacional sobre os Direitos da Mulher Rural e Desenvolvimento com o tema “Garantia dos Direitos da Mulher Rural: um factor de desenvolvimento sustentável” está a ser realizada pela Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) em parceria com a União Europeia e o Grupo África da Suécia (GAS).

O evento visa analisar questões relativas às políticas públicas de promoção da justiça, equidade e igualdade de género no país, sendo uma oportunidade para analisar as diferentes formas de participação da mulher nos processos de desenvolvimento e divulgar as iniciativas promovidas pelas associações e cooperativas no âmbito da intervenção da ADRA.

O evento está alinhado com os valores, princípios e abordagens metodológicas da organização e com a necessidade de construção de processos equitativos que favoreçam o desenvolvimento integral dos cidadãos.

Com este evento, a ADRA procura contribuir para uma maior inclusão política, social e económica através do alargamento da participação democrática e da influência sobre as políticas públicas de combate à pobreza e de desenvolvimento sustentável para Angola.