A preocupação foi manifestada por agricultores locais ao governador provincial, Rui Falcão, durante uma visita de constatação da realidade do vale do Coporolo, marcada pelas frequentes inundações do rio.

De acordo com o maior produtor de ananás no Dombe Grande, Nelson Rodrigues, a falta de desassoreamento do rio é um problema antigo, impossibilitando que se faça uma produção regular ao longo do ano.

Segundo o produtor, nesta época seca é possível produzir-se em grande escala e o escoamento também é feito sem sobressaltos, ao contrário da época chuvosa, em que as inundações são constantes.

Nelson Rodrigues garantiu que, até finais de Setembro, vai colher cem toneladas de ananás.

Já o maior produtor de mangas da região, Victorino Marques, referiu que, apesar da pandemia que assola o mundo, vai colher ainda este ano duas mil toneladas desta fruta.

“Devido a falta de desassoreamento do rio e inundações, na época chuvosa a situação se complica, registando-se dificuldades na produção e no escoamento”, disse.

Face a esta situação, lamentou, 50 por cento da manga é escoada e o restante acaba por se estragar por falta de condições de conservação.

Entretanto, o governador Rui Falcão adiantou que após a constatação dos problemas que afligem os agricultores, vai traçar estratégias para encontrar soluções no sentido da limpeza do rio.

O governador disse que o país está com diversas dificuldades e que existem obras de engenharia que constam de um caderno de prioridades, que aguardam por execução.

“A nível local, vamos procurar fazer o que é de nossa competência e possibilidade e vamos remeter ao governo central essa necessidade de urgência de intervenção no vale do rio Coporolo”, frisou.

Quanto ao sector industrial, Rui Falcão disse que foram feitos investimentos que infelizmente não tiveram o retorno desejado, daí a necessidade urgente de se entregar as infra-estruturas aos privados para sua exploração.

Rui Falcão incentivou a criação de pequenos projectos que podem se tornar grandes a médio/longo prazo, bem como prometeu apoiar o empresariado local, sobretudo do sector produtivo.

A comuna de Dombe Grande, província de Benguela, continua privada dos serviços das unidades fabris de processamento de tomate, de recipientes (latas) e de um entreposto (armazém), seis anos depois da conclusão das obras, pelo Governo.

O empreendimento, equipado com tecnologia de ponta, tem uma capacidade instalada de produzir cinco mil quilogramas por hora e previa, numa primeira fase, assegurar pelo menos 20 postos de emprego directos, com recurso à força de trabalho local.

A construção das fábricas resulta de um "grito de socorro" dos agricultores locais, para fazer face à perda de grandes quantidades de tomate, registada regularmente, por falta de escoamento.

A população da comuna de Dombe Grande, com uma extensão territorial de 2.177,2 quilómetros quadrados, está estimada em 41.434 habitantes distribuídos por sete povoações, 13 bairros e 12 aldeias, e na sua maioria dedica-se a agricultura e pecuária.

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