A Namsov diz ter contactado o Presidente da Namíbia, Hage Geingob, a quem pediu para intervir e permitir que a empresa tivesse acesso à quota doada a Angola, de forma a evitar um grande número de despedimentos, refere o diário The Namibian.

Numa carta datada de 21 de Agosto de 2014, a Namsov, empresa então avaliada em 1,1 mil milhões de dólares namibianos (68 milhões de euros, ao câmbio actual), mostrou-se preocupada com o novo sistema de quotas, defendendo que as 5.908 toneladas métricas alocadas para a empresa pelo então ministro das Pescas, Berhard Esau, ficavam muito abaixo em relação ao que tinha sido acordado anteriormente.

"Devido à quebra de 20.000 toneladas métricas, duas embarcações parcialmente detidas e operadas pela Namsov Fishing Enterprises estão ancoradas, e a sua tripulação (incluindo 120 pescadores namibianos) está sem trabalho, recebendo menos de 25% da sua remuneração habitual", refere a carta da empresa pesqueira.

"Instrua os beneficiários da alocação angolana das 7.000 toneladas para que a tornem disponível para a Namsov", lê-se na missiva em que a empresa "poderia acabar numa situação pior" no ano seguinte, 2015, uma vez que não havia garantia quanto às quotas futuras.

A quota foi atribuída à Namgomar Pesca, um consórcio entre Namíbia e Angola, que foi usado para pagar comissões de 103 milhões de dólares namibianos (6,4 milhões de euros ao câmbio actual).

A actividade da Namsov, que então empregava 650 pessoas, foi assim limitada pelo agora ex-ministro Berhard Esau, que atribuiu as suas quotas à Empresa Nacional de Pescas da Namíbia, a Fishcor.

As perdas da Namsov levaram ao colapso da empresa, resultando na sua venda ao Grupo Tunacor, em 2018.

Desde então, a Fishcor viu-se envolvida em vários escândalos, com o mais recente, o escândalo Fishrot, divulgado pelo portal Wikileaks, a expor a empresa estatal como uma fachada para o desvio de fundos por certos políticos e empresas parceiras.

Seis pessoas foram detidas devido a este processo, incluindo dois ex-ministros - Esau e o antigo ministro da Justiça Sacky Shangala - por acusação de fraude, branqueamento de capitais e corrupção.

O presidente da Associação dos Pescadores Nambianos, um sindicato de pescadores da Namíbia, Matheu Lungameni, citado pelo The Namibian, referiu que, alegadamente, 25 pescadores morreram após terem sido despedidos da Namsov.

Lungameni referiu que as mortes foram causadas pelo stress, tensão alta ou suicídios.

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