Num estudo agora divulgado sobre a exploração da madeira e acesso à justiça nas províncias da Moxico e Uíge a Mosaiko- Instituto para Cidadania condenou a exploração desordenada da madeira nas províncias do Moxico e do Uíge.

O estudo revela que não há também acesso à justiça nas zonas de exploração de madeira feita por maioritariamente por empresas chinesas sob a coordenação de altas patentes das Forças Armadas Angolanas.

A exploração em grande escala da madeira é feita sob o olhar impávido das autoridades, que se vê sem meios para patrulhar as zonas onde se pratica o garimpo e em consequência, diz o relatório do Mosaiko, os danos ambientais são acentuados.

. Um grupo de jovens referiu que no município de Lumbala Nguimbo exploram muita madeira e não deixam nenhum benefício para população. Trazem toda documentação já de Luanda e quando chegam dão uma área aos chineses, mesmo que tiver cultivo eles não ligam, o que lhes importa é só a madeira”, diz a Advogada Djamila Ferreira na apresentação do Relatório

Sobre a responsabilidade social das exploradoras que exploram madeira nas zonas abrangidas pelo estudo, diz Djamila Ferreira, constatou-se que tais instituições preocupam-se apenas em produzir carvão e caixão para população e questiona-se sobre tal atitude.

“Da várias vezes que fomos para pedir entrevistas nestes locais raramente encontramos pessoas e na maioria dos presentes não possuem viaturas para localizar os pontos de exploração ilegal de madeira. Durante as entrevistas a comunidade relatou que a empresa que faz exploração na comunidade oferece carvão e caixão quando morre alguém. Mas será que dar caixão é responsabilidade social?”, questiona a jurista do Mosaiko-Instituto para Cidadania.

A situação tem estado a preocupar as autoridades tradicionais e religiosas nestas regiões que sem forças e meios para impedir a acção das empresas que não cumprem os seus deveres de responsabilidade social para com a comunidade onde há a extracção da madeira.

Em muitas zonas estudadas, o garimpo é liderado por generais que “corrompem” as autoridades tradicionais. O estudo confere a conivência das autoridades tradicionais na exploração de madeira.

O Bispo católico da diocese do Luena, Dom Jesus Tirso Blanco lamenta o elevado nível de pobreza a que estão voltadas as populações do Moxico, muitas delas privadas do direito de livre circulação por falta de infraestruras rodoviárias.

As vias não asfaltadas estão esburacadas devido aos caminhões transportadores de madeira. A degradação das vias rodoviárias que estabelecem a ligação com os municípios sede tem consequências no acesso ao ensino para crianças e adultos.

O acesso à justiça foi também tema de pesquisa do Mosaiko-Instituto para Cidadania. Os dados revelados pelos relatórios são preocupantes, de acordo com Hermenegildo Teotónio que apresentou o relatório.

O relatório “Avaliação Participativa Sobre Acesso à Justiça” apresentado, esta quarta-feira na capital angolana, no âmbito da exploração da madeira na província do Moxico e Uíge tem mais de 150 páginas. O próximo estudo vai cingir-se só nas zonas de exploração petrolífera.

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