A vontade foi expressa na abertura dos trabalhos da 14.ª sessão da Reunião Intergovernamental Angola/Cuba, que se prolongam até quarta-feira na capital angolana, pelos co-presidentes da reunião, o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República angolano, Frederico Cardoso, e pelo vice-presidente do Conselho de Ministros cubano, Ricardo Cabrisas Ruiz.

A tradicional cooperação bilateral mantém-se praticamente igual desde 1976, ano em que foi assinado um acordo geral de cooperação em vários domínios, como o militar, defesa, segurança, saúde, educação, ensino superior, petróleos e indústria.

Tanto Frederico Cardoso como Ricardo Ruiz afirmaram esperar que, do encontro, sejam encontradas novas oportunidades de negócio, tendo o vice-presidente cubano destacado um possível investimento de Havana na área farmacêutica, em que Cuba conta com uma nova indústria de alta tecnologia e competitividade.

Nesse sentido, ambos defenderam também a necessidade de se fazer um trabalho "conjunto e sistemático", para que se tenha uma maior presença de empresas angolanas a operar em Cuba, em sectores de interesse mútuo, no quadro das projecções do desenvolvimento económico e social a curto, médio e longo prazos, e vice-versa.

Para tal, defendeu Frederico Cardoso, as duas partes devem ter em conta um "melhor e mais consistente acompanhamento da execução física e financeira dos acordos e dos contratos assinados" no passado, que serão reanalisados à luz dos novos desenvolvimentos políticos nos dois países.

A este propósito, Ricardo Ruiz convidou os empresários angolanos a participarem, em novembro, na 37.ª Edição da Feira Internacional de Havana.

Os acordos a alcançar, serão posteriormente assinados durante a já anunciada visita do Presidente João Lourenço a Cuba, em data a definir, "provavelmente em Junho", disse à agência Lusa fonte diplomática angolana.

O governante cubano disse ser desejo de Cuba colaborar com Angola nos distintos eixos do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018/22, sobretudo nas áreas da educação e ensino superior, desenvolvimento dos recursos humanos, saúde, assistência e protecção social, habitação e cultura.

Actualmente, acrescentou Ricardo Ruiz, dados da missão diplomática de Cuba em Luanda indicam que estão em Angola "2.077 colaboradores cubanos", que prestam serviço nos mais variados domínios.

A reunião vai analisar, em três dias, a renegociação e assinatura do acordo de usufruto recíproco de imóveis, a revisão sectorial dos acordos de cooperação entre os dois países, a avaliação da dívida de Angola para com Cuba, o papel da agência de cooperação cubana ANTEX, entre outros.

A questão da renegociação da dívida de Angola a Cuba, cujo montante as fontes contactadas pela Lusa não adiantaram, não foi, aliás referido na abertura do encontro, que termina quarta-feira com a assinatura de um "Processo Verbal", que vincula os dois países aos compromissos assumidos ao longo dos anos.

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