João Lourenço tentaria obter empréstimos chineses, avaliados em 11 700 milhões de dólares para projectos em Angola.

Já no mês passado o estadista angolano esteve na China no âmbito da terceira cimeira do Fórum de cooperação China África, FOCAC.

Ele é, por isso, o primeiro estadista africano a voltar à China após esse fórum.

As negociações entre Luanda e Pequim sobre o dossier dos financiamentos decorrem há meses pelo que Lourenço poderia pretender pesar no desfecho das mesmas.

A República de Angola tem mantido há aproximadamente duas décadas uma relação  intensa na qual temos obtidos resultados que contribuem significativamente para a melhoria das infraestruturas fundamentais do país, para aumento do crescimento económico” , sublinhou neste encontro o estadista angolano.

Estamos satisfeitos, obviamente, com a disponibilidade que a República da China tem manifestado em ajudar Angola , queremos que se mantenha esta relação pois será importante como paradigma para com os restantes países africanos  e a República Popular da China reactivem a Comissão Orientadora para a cooperação económica e comercial.”

As conversações com as autoridades chinesas devem conduzir à assinatura de um conjunto de acordos, sendo um deles o instrumento que evita a dupla tributação nas transacções comerciais.

João Lourenço faz-se acompanhar por uma delegação de alto nível, composta por dois ministros de Estado, pelo chefe da Casa Civil e por ministros de vários pelouros como das Relações Exteriores, Finanças, Construção e Obras Públicas, Transportes e Energia e Águas.

Integram a comitiva governamental funcionários do gabinete do Presidente da República. Ao longo da última década, a China conquistou uma posição proeminente na economia de Angola.

A cooperação oficial da China com Angola, e com África em geral, é dominada por empréstimos financeiros disponibilizados pelos seus principais bancos para a construção ou reabilitação de infra-estruturas.

O Governo chinês estendeu oficialmente linhas de crédito a Angola através de vários dos seus bancos estatais de investimento. A primeira linha de crédito oficial chinesa para Angola data de 2002.

A hipótese de novos empréstimos chineses a Angola é criticada por Agostinho Sikatu, politólogo, director do Centro de debates e estudos académicos.

Acho desnecessário que o país entre de novo em dívida com a China“, afirmou o académico para o qual a aposta no momento seria concluir o processo, em curso, de repatriamento dos capitais no estrangeiro antes de qualquer novo endividamento.

E isto num cenário que, a seu ver, deveria ter ainda a anuência prévia do parlamento, remata o politólogo.

Mais de 250 mil chineses trabalham em Angola, em sectores como infraestruturas.

A China é o maior parceiro comercial de Angola. Já para a China Angola é o segundo em África, a seguir à África do Sul.

A compra de petróleo angolano pela China explica esta classificação.

Em 2017 a China comprou 22,34 mil milhões de dólares a Angola, por seu lado Angola comprou à China o equivalente a 2,2 mil milhões de dólares.

Angola, a seguir ao Brasil, é o segundo país de língua portuguesa que mais compra à China.

Após já se ter avistado com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro Li Kequiang, João Lourenço desloca-se nesta quarta-feira à Huwaei, multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações.

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