Depois de falhar três edições da Feira Internacional de Luanda (FILDA), a Alemanha regressa este ano à maior bolsa de negócios de Angola, que arrancou esta terça-feira (09.07), no espaço da Zona Económica Especial (ZEE), no município de Viana.

Nesta edição de 2019, que reúne empresas que atuam no ramo da tecnologia de construção de máquinas, arquitetura, eletrotécnica, energia, proteção ambiental, transporte, processamento alimentar, turismo e tecnologia de resíduos, a Alemanha está representada por 11 empresas.

Preço do petróleo prejudica negócios

Em entrevista à DW África, Marcus Knup, diretor da Agência de Investimento e Comércio Exterior da Alemanha (GTAI), explica que o baixo preço do petróleo é uma das causas para o fraco intercâmbio comercial entre o seu país e Angola. Mas não só: "É efeito de dois fatores. O baixo preço do petróleo faz com que o volume das exportações de Angola seja mais pequeno. Por outro lado, as exportações da Alemanha para Angola nos anos de 2016 e 2017 ficaram a dever-se a grandes projetos de instalações industriais, mas em 2018 o volume de investimento baixou", explicou.

São várias as empresas alemãs que operam em Angola. No entanto, acrescenta o diretor do departamento de investimento externo alemão, não existe nenhuma empresa angolana a atuar neste país europeu. Por isso, Marcus Knup espera que esta edição da FILDA abra portas para novas oportunidades entre os dois países, principalmente, "nesta fase em que Angola está com programas de reforço à produção local, e que procura, por exemplo, equipamentos para a indústria". "As empresas alemãs têm justamente esses equipamentos para reforçar a indústria e para construir fábricas", frisou Marcus Knup.

Explorar o potencial angolano

Um dos expositores alemães na Feira Internacional de Luanda é o Grupo Siemens, empresa do ramo tecnológico com foco nas áreas de eletrificação, automação e digitalização.

Em declarações à DW, Sérgio Filipe, CEO do grupo em Angola, fala do seu projeto de formação em Berlim: "É uma escola patrocinada pela Siemens, na égide do sistema atual que conhecemos muito bem da Alemanha, onde formamos alunos durante três anos e meio, nas áreas da mecatrónica e de eletrónica industrial", explica.

Em exposição no stand da empresa estão igualmente as principais áreas em que a Siemens opera em Angola, nomeadamente, a geração de energia e sua a transmissão e distribuição. "Com destaque muito particular àquilo que é a nossa participação no petróleo e no gás, onde temos várias aplicações de equipamento rotativo, por exemplo, quer onshore, quer em offshore", disse Sérgio Filipe.

Em declarações à imprensa, o embaixador da Alemanha em Angola, Dirk Lölke, afirmou que o regresso do seu país à FILDA é sinal de que o Governo alemão acredita no potencial económico de Angola. "É um sinal de que o Governo alemão acredita que Angola está num bom caminho. É a minha primeira vez na Feira Internacional de Luanda. Vamos participar nas edições futuras", disse.

por:content_author: Borralho Ndomba (Luanda)

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.