Segundo o secretário de Estado da Agricultura angolano, Carlos Alberto Jaime Pinto, a iniciativa, hoje lançada em Luanda e que conta com apoio financeiro do Banco Mundial (BM) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), vai permitir o aumento da produtividade, o acesso aos mercados, o apoio à diversificação económica, ajudar a gerar receitas e a promover o surgimento de um agronegócio sustentável.

A primeira fase abarca as zonas com potencial agrícola das cadeias de valor das províncias de Malanje, Cuanza Norte e Cuanza Sul, enquanto a segunda compreenderá as províncias do Huambo, Bié, Uíge, Bengo, Benguela, Luanda e Huíla, prevendo-se que, ao fim de seis anos, se possa produzir 21 milhões de toneladas de produtos.

Os critérios de seleção foram definidos com base na maior concentração de agricultura comercial, condições agroclimáticas favoráveis ao cultivo do café, milho, soja, feijão e outros produtos, como amendoim, frutas e vegetais, assim como a criação de aves e de gado, bem como o acesso ao mercado e a proximidade à infraestrutura de apoio à actividade agrícola, fundamentalmente, água, transporte e energia.

O projeto terá quatro componentes, sendo a primeira o desenvolvimento do agronegócio, avaliado em 80 milhões de dólares (69 milhões de euros), divididas em 55 milhões de dólares para apoio à produção e comercialização agrícola e os restantes 25 milhões para apoio as garantias parciais de crédito.

A segunda está voltada para o desenvolvimento e melhoria das infraestruturas, avaliado em 100 milhões de dólares (86,2 milhões de euros), particularmente na melhoria de estradas rurais, canais de irrigação e de energia da rede pública.

O terceiro eixo está ligado à melhoria do ambiente de negócio e fortalecimento institucional, avaliado em 35 milhões de dólares (30,1 milhões de euros) e, por último, a componente quatro, sobre gestão, monitoria e avaliação do projeto, está avaliada em 15 milhões de dólares (12,9 milhões de euros).

Ao comentar o projeto, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, disse que é "bem-vindo" e defendeu que, a par da importância do ramo alimentar, deve privilegiar-se a produção de produtos tradicionais regionais, como o algodão, a agricultura familiar e outras áreas.

Cinco milhões dos mais de 35 milhões de hectares de terras aráveis disponíveis estão já a ser preparados pelo setor agrícola para a campanha agrícola 2018/2019, destinados aos privados e às famílias, para que se possa produzir cereais, tubérculos, frutas, vegetais e oleaginosa, reduzindo as importações.

A perspetiva é a de produzir mais de 21 milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos, com destaque para cereais e tubérculos.