No segundo encontro dos ministros das Finanças africanos, liderado pela secretária executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), os governantes defenderam que o continente “está a enfrentar um profundo e sincronizado abrandamento económico e que a recuperação pode demorar até três anos”.

No comunicado de imprensa que dá conta das conclusões da reunião, os governantes concordaram que “o foco imediato deve permanecer na frente humanitária e de saúde” e apontaram a necessidade de “continuar a alertar as pessoas sobre a importância dos testes e do distanciamento social”.

Para além da questão de saúde, os ministros africanos insistiram na necessidade de haver um perdão da dívida, mas alargaram o pedido a todo o tipo de dívida e a todos os países do continente, durante os próximos três anos, alargando, assim, a proposta feita na semana passada.

“Os ministros pediram um alívio da dívida por parte dos parceiros bilaterais, multilaterais e comerciais com o apoio de instituições financeiras multilaterais e bilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a União Europeia, para garantir que os países africanos garantem a margem orçamental de que precisam para lidar com a crise da COVID-19″, lê-se no comunicado que dá conta das decisões da segunda reunião, feita à distância e na qual alguns ministros já aparecem a usar máscaras.

Este pedido sobre a dívida, salientam, “deve ser para toda a África e deve ser feito de forna colaborativa e coordenada, através da criação de um veículo financeiro especial que lide com as obrigações da dívida soberana”.

As quedas nas receitas provenientes da exploração e exportação de matérias-primas, em conjunto com o aumento do custo das importações estão a aumentar a pressão sobre os orçamentos, através da inflação e da taxa de câmbio, argumentam os governantes africanos, defendendo que a proposta inicial de um ano de alívio de dívida não é suficiente.

“Dado que a economia global entrou num período sincronizado de abrandamento, com a recuperação a só dever acontecer dentro de 24 a 36 meses, os parceiros para o desenvolvimento devem considerar um alívio financeiro e um perdão dos juros durante dois a três anos para todos os países africanos, sejam de baixo ou de médio rendimento”, escrevem os governantes.

Defendendo o fim da proibição de exportações de produtos médicos decretada por 54 países a nível mundial, os ministros das finanças africanos pedem apoio para o setor privado e defendem que o fecho das fronteiras não deve impedir a assistência humanitária, chamando ainda a tenção para as enormes perdas que as companhias aéreas enfrentam devido às medidas de restrição da circulação.

“Este é um setor importante na criação de emprego para milhões de africanos e tem de ser protegido”, sublinham, anunciando que será feita uma reunião dos ministros dos países mais afetados pelas perdas no turismo e nos transportes, “para planear melhor as políticas de combate às perdas”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da COVID-19, já infetou perto de 866 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 43 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes em África subiu para 196 nas últimas horas num universo de mais de 5.700 casos confirmados em 49 países, de acordo com as estatísticas sobre a doença no continente.

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