Ângela Bragança, que falava a margem do II Fórum de Negócios e Investimentos Turísticos da CPLP, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), salientou que o problema das acessibilidades (estradas) e a conectividade aérea estão entre os principais obstáculos ao desenvolvimento do turismo no país.

A ministra disse que o governo angolano quer abrir o mercado da aviação civil e acolhe favoravelmente a possibilidade de voos directos para a província de Benguela, no litoral-centro - cujo aeroporto local está em fase de homologação para voos internacionais - e “onde há uma comunidade portuguesa muito grande”.

Adiantou que a flexibilização da legislação no âmbito da aviação civil, que o governo está a promover, cria “várias oportunidades” incluindo o surgimento de ‘low costs’, numa altura em que Angola quer desenvolver as suas potencialidades turísticas.

“Não somos ainda um país de vocação turística, temos de criar esta mentalidade na população”, assinalou.

Acrescentou que a maior parte dos visitantes estrangeiros em Angola são originários de Portugal e procuram o país africano sobretudo pelos negócios. Contudo, a ministra adiantou que Angola quer promover uma oferta turística diferenciada, da vida selvagem aos pacotes “sol e praia”, além do turismo de negócios.

Ângela Bragança sublinhou que “Portugal é um laboratório muito interessante” pelo impacto que o turismo está a ter na economia portuguesa, e adiantou que Angola está a trabalhar bilateralmente e no âmbito da CPLP, para valorizar esta experiência.

Por outro lado, Angola tem também oportunidade de investimento no sector do turismo.

“Angola precisa de investimento para desenvolver o turismo, seja na hotelaria, seja na restauração, seja no património”, afirmou, acrescentando que Angola vai aderir também ao programa Revive Internacional para potenciar a utilização turística do património.

A governante considerou, por outro lado, que o financiamento constitui “um desafio”.

“Há muita dificuldade”, afirmou, justificando que muitas estratégias “não saem do papel porque não há investimento.

“É necessário que se estude o problema do risco”, comentou, salientando que “há um diálogo a estabelecer entre o sector público e o sector privado”.

A ministra acredita que o processo de regularização das dívidas do governo angolano às empresas portuguesas vai contribuir para aumentar a confiança dos investidores.

“O factor confiança que se começa a criar com este processo é importante. Não estamos de costa voltadas”, frisou a ministra angolana.

Para a responsável angolana da pasta do Turismo, a resolução destes problemas vai “criar mais espaço para agir”, já que o sector privado português precisa do suporte da banca.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.