No mundo do futebol, a onda de solidariedade é unânime nas redes sociais. O treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, escreveu “Somos todos Moussa”. Ricardo Quaresma declarou que também ele já foi “várias vezes vítima de racismo dentro e fora de campo”. Muitos outros se pronunciaram, como Hamari Traoré, Samuel Bastien, Jackson Martínez, Anthony Martial, Alex Telles, Sebástian Coates, Silas, Adrien Silva, assim como os clubes AC Milan, Sporting, Braga, Benfica, Boavista, Dorussia Bormund ou Amiens SC.

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Pedro Proença, defendeu a “intervenção robusta, inequívoca e exemplar, até musculada se for necessário”, porque “o combate aos comportamentos antidesportivos é um combate de todos”.

Queremos que, claramente, aos adeptos que não têm comportamentos condignos, sejam aplicadas medidas sancionatórias de interdição de acesso a recintos desportivos e sejam acompanhados do dever de apresentação junto das autoridades às horas dos jogos das sociedades desportivas infractoras”, declarou Pedro Proença, num registo sonoro da agência Lusa.

Pedro Proença também disse que a Liga tem combatido o racismo e a xenofobia: “A Liga tem tido um papel extremamente activo no combate ao racismo e xenofobia, mas no combate à violência no desporto e no futebol em particular. Há pouco mais de uma semana, estive reunido com o ministro da Administração Interna, fazendo e reivindicando intervenções de natureza objectiva e subjectiva”.

Em comunicado, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional defendeu, ainda, que o racismo “envergonha o futebol e a dignidade humana”.

O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, também condenou os insultos racistas de que o jogador foi alvo no domingo, lembrando que a Constituição é muito clara na condenação do racismo, xenofobia e discriminação: “A Constituição da República Portuguesa é muito clara na condenação do racismo, assim como de outras formas de xenofobia e discriminação, e o povo português sabe, até por experiência histórica, que o caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação, além de representar a violação da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais, é um caminho dramático em termos de cultura, civilização e de paz social.”

Também o primeiro-ministro português, António Costa, manifestou a sua “solidariedade” com Marega e o “repúdio total” pelos actos racistas contra o futebolista maliano e disse esperar acção por parte das autoridades:”Todos temos que expressar a solidariedade com ele, repúdio total por este tipo de comportamento e espero que sirva de exemplo para que não se repita em mais nenhum estádio e que agora as autoridades ajam como lhes compete de forma a impedir que nunca mais isto aconteça.”

“Gesto forte de Moussa Marega”

Marega ouviu insultos desde o aquecimento e ao longo de todo o jogo vindos das bancadas do Estádio D. Afonso Henriques, mas a situação piorou quando marcou o segundo golo do FC Porto contra o Vitória de Guimarães. Quando marcou o centésimo golo da sua carreira, foi até próximo da bancada mas, em resposta, recebeu cadeiras. Pegou numa delas e colocou-a na cabeça – algo que lhe valeu o amarelo da parte do árbitro Luís Godinho. O jogo prosseguiu, mas os assobios e os insultos não pararam, e aconteciam sempre que Marega tocava na bola. De acordo com o relato do jornal desportivo O Jogo, expressões como “macaco”, “chimpanzé”, “preto” e sons que se assemelhavam aos de macacos ecoaram no estádio vimaranense.

Face a isto, o futebolista decidiu abandonar o jogo, mesmo depois de alguns jogadores da sua equipa e do seu treinador Sérgio Conceição, o terem tentado demovê-lo. Ao sair, Marega apontou para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares para baixo, para mostrar a sua indignação. Mais tarde, publicou na sua conta de Instagram uma clara mensagem contra os “idiotas” que dão os “gritos racistas” e lamentou a passividade do árbitro, ainda que a FIFA puna claramente o racismo dentro de linhas: “Agradeço aos árbitros por não me defenderem e por me terem dado um cartão amarelo porque defendo minha cor da pele.”

O site desportivo Afrik Foot louvou o “gesto forte de Moussa Marega” e lamentou que o árbitro não tivesse suspendido o jogo e que “os seus colegas não o tivessem acompanhado” na saída de campo.

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