Um procurador especial nomeado para investigar as relações entre o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, abriu um processo criminal contra o líder do futebol mundial e requereu aprovação para abrir também os procedimentos contra Lauber.

Na semana passada, o procurador suíço, suspeito de conluio com Infantino após encontros com o presidente da FIFA, apresentou a sua demissão, apenas alguns minutos antes de um tribunal federal confirmar as alegações de que Michael Lauber encobriu uma reunião com Gianni Infantino e mentiu aos seus supervisores enquanto o seu gabinete investigava suspeitas de corrupção em torno da FIFA.

A decisão surgiu na sequência de um recurso apresentado por Lauber contra sanções por má conduta, em março. O processo disciplinar interno do Ministério Público suíço centrou-se num encontro que Lauber teve em junho de 2017 com Infantino num hotel em Berna. Ambos afirmaram não se recordar da discussão que tiveram naquela que era a sua terceira reunião no espaço de 15 meses.

Indícios de crime

As reuniões tiveram lugar em 2016 e 2017, quando as autoridades de justiça investigavam, entre outros casos, a forma como a Rússia e o Qatar tinham conquistado o direito de sediar os Mundiais de 2018 e 2022, respetivamente.

"Com base na experiência de vida geral, um caso como este, de amnésia coletiva, é uma aberração", diz a sentença do tribunal da semana passada.

Esta quinta-feira (30.07), autoridades suíças anunciaram que o procurador especial Stefan Keller, nomeado no início de julho para rever as queixas contra Lauber, Infantino e outros envolvidos, encontrou indícios de conduta criminal relacionadas com os encontros. "Isto diz respeito ao abuso de cargos públicos, violação de sigilo, apoio aos infratores e incitamento a estes atos", disse o grupo de vigilância AB-BA que supervisiona a Procuradoria-Geral suíça, em comunicado.

Tanto o procurador suíço como o presidente da FIFA negaram as acusações. A FIFA ainda não se pronunciou sobre a abertura do processo contra o seu presidente, mas nunca negou os encontros entre os dois homens, afirmando estar "pronta a colaborar com o sistema judicial suíço".

por: mjp, com agências

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