O atual líder do campeonato, o Petro de Luanda, com 54 pontos, e o seu principal perseguidor, o 1º de Agosto, com 51 pontos, estão a deixar os adeptos na expectativa, já que os futebolistas só podem treinar-se em casa, o que pode acarretar problemas para a manutenção da condição física dos mesmos, especialmente para os atletas que descurarem o treino exigido.

Mesmo assim, e nas redes sociais, boa parte dos torcedores das duas equipas parecem reconhecer que os atletas estão a adaptar-se às medidas necessárias, devido à suspensão das atividades desportivas e ao estado de emergência em vigor no país, provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Contudo, há adeptos que mostram-se intranquilos por saberem que os técnicos estão a orientar as equipas à distância, ao passo que outros apoiam esta medida – a qual garante que o confinamento em casa é seguido por todos -, mostrando-se curiosos para verem os resultados dos métodos de trabalho à distância.

A SAPO quis saber a opinião de alguns adeptos, de ambas as equipas, face à necessidade e consequências de os atletas e equipas técnicas terem de se adaptar a esta nova realidade.

Luís Fernandes Nhanga, adepto do Petro, está expectante: “Estou muito ansioso para assistir ao dérbi. Devemos ser otimistas e não pessimistas, mas também sei que o melhor lugar de conforto é em casa. Os jogadores que não cumprirem com as orientações dos técnicos, à distância, poderão ter peso a mais e isto vai baixar os seus rendimentos em campo. Contudo, espero ver o meu Petro a vencer o jogo e o campeonato, esta época.”

Por sua vez, Jones Muenzo, igualmente do Petro, realça que as equipas profissionais devem adaptar-se a todo tipo de treino e terreno de jogo. Porém, salientou que: “Os jogadores sabem a responsabilidade que têm. Por isso devem dobrar os seus máximos para a equipa manter-se na liderança do campeonato. Não ganhamos [o Girabola] há dez anos”.

Por sua vez, Adriano Fonseca, adepto do 1º de Agosto, confia nos jogadores da equipa e confessa também estar ansioso para ver as formas desportivas dos jogadores, depois da pausa do campeonato. Mas deixa um alerta: “A equipa está praticamente proibida de perder ou empatar jogos. Se perdermos pontos neste jogo, o adversário poderá agigantar-se e conservar a liderança do campeonato para sagrar-se campeão”.

Já Silva Domingos, também do 1º de Agosto, espera que o dérbi possa contar com a presença do público, uma vez que os últimos jogos foram realizados sem adeptos nas bancadas, como precaução para evitar contágios que pudessem ser provocados pela COVID-19.

“Um dérbi sem adeptos é como comida sem sal. Acredito que depois de terminar o estado de emergência e a suspensão das factividades desportivas, o campeonato poderá entrar no seu ritmo normal, até porque a situação da COVID-19 já esta a ser controlada”, concluiu.

De salientar que, segundo os últimos dados do Governo, datados do dia 5 de Abril, no total o país já registou 14 casos de COVID-19, tendo duas pessoas morrido e outras duas recuperado totalmente.

Infelizmente, e a crer na Organização Mundial de Saúde, o cenário para o futuro poderá não ser muito positivo para Angola, com a instituição a estimar que o país terá cerca de 10 mil casos até julho. Ao mesmo tempo, enfermeiros e médicos, ouvidos pela DW África, já vieram avisar que o sistema de saúde é limitado para esse volume de infeções e pode entrar em colapso.

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