"O ACNUR continua alarmado com o atual surto de ataques violentos contra populações locais na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), onde mais de 200 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas nos últimos dois meses", declarou Charlie Yaxley, porta-voz da agência, durante uma videoconferência.

"O ACNUR pede a todas as partes envolvidas no conflito que respeitem a vida dos civis e o trabalho humanitário. Cinco milhões de pessoas foram desenraizadas na RDC, incluindo 1,2 milhões na província de Ituri", afirmou.

Em Ituri, soldados do exército governamental combatem o grupo armado Codeco. Este último afirma defender os interesses da comunidade Lendu, formada por agricultores, contra outra comunidade, a Hema, de criadores de gado e comerciantes.

Mais de 700 civis foram mortos numa onda de violência que teve início em dezembro de 2017, de acordo com as Nações Unidas, com a própria organização a falar de um possível "crime contra a humanidade".

A violência aumentou desde o lançamento, em dezembro de 2019, de uma operação militar sob o comando das forças do governo contra vários grupos armados na província. O conflito acentuou-se ainda mais em meados de março, após as contraofensivas militares lideradas por esses mesmos grupos.

O ACNUR e outras organizações com quem trabalha em parceria afirmam ter identificado mais de três mil "violações graves de direitos humanos" dentro dos limites do território de Djugu, na província de Ituri, nos últimos dois meses, com pelo menos 50 ataques por dia contra as populações locais.

Segundo o porta-voz da ACNUR, as pessoas deslocadas denunciaram atos de "violência extrema", responsáveis por, pelo menos, 274 mortos. Ao mesmo tempo, "mais de 140 mulheres foram violadas e quase oito mil habitações foram incendiadas", acrescentou Charlie Yaxley-

"A grande maioria dos deslocados são mulheres e crianças, muitas das quais estão abrigadas nas casas de [outras] famílias. Outros dormem na rua ou em edifícios públicos, como escolas, fechadas devido à pandemia de COVID-19", denunciou.

O ACNUR também está preocupado com a falta de acesso das organizações humanitárias às populações locais nas zonas de Djugu e Mahagi – esta última também em Ituri –, assim como com a ameaça de escassez de alimentos.

"A falta de recursos financeiros também afeta a nossa capacidade de atender às necessidades básicas das populações deslocadas. O nosso para arrecadar 154 milhões dólares em doações em benefício da RDC atingiu apenas 18% da meta", disse Charlie Yaxley.

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