Imagens exibidas pela televisão britânica reforçaram a tese segundo a qual a polícia sul-africana teria perseguido e assassinado a sangue-frio os mineiros grevistas durante a tragédia de Marikana (norte), que terminou com a morte de 34 manifestantes no dia 16 de Outubro de 2012.

A emissora Channel 4 exibiu esta semana, imagens gravadas com um telemóvel que mostram policias a perseguirem mineiros e  a matar pelo menos um.

O vídeo, que foi analisado em Novembro por uma comissão de investigação criada para esclarecer os acontecimentos, parece confirmar o que as testemunhas e as investigações já haviam apontado nas semanas seguintes à tragédia, que a polícia sul-africana não agiu apenas em legítima defesa.

Nas imagens, aparentemente gravadas por um policia, é possível ouvir um oficial dizer aos seus parceiros para agirem com moderação: "O homem está lá, o que corre. Não atire nele, não atire nele!"

Mas no instante seguinte, são ouvidos tiros e, em seguida, a câmera filma um cadáver.

Depois um outro policia diz: "Este filho... , eu atirei pelo menos 10 vezes!"

De acordo com o Channel 4 News, o corpo foi encontrado com 12 balas.

O presidente Jacob Zuma lançou uma investigação para esclarecer o tiroteio do dia 16 de Agosto, que chocou a África do Sul e lembrou a brutalidade do apartheid.

Das 34 vítimas, 16 manifestantes foram mortos durante o tiroteio, que foi transmitido ao vivo pela televisão, os outros 18 mineiros foram mortos em seguida.

Os advogados das famílias das vítimas revelaram que pelo menos 14 mortos foram atingidos pelas costas, sugerindo que eles foram assassinados enquanto fugiam da polícia.

A comissão de investigação deverá apresentar as suas conclusões ainda em Janeiro, mas deve prosseguir com as suas audiências até ao final do Outono austral, em Maio.

O conflito da mina de platina de Marikana, operada pelo grupo britânico Lonmin, causou um total de 48 mortos. Começou no final de Setembro com reivindicação por aumentos salariais.

O movimento provocou uma onda sem precedentes de greves que se espalharam entre muitas minas em todo o país até Novembro.

@SAPO/AFP

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