Em declarações à agência Lusa, Raul Danda, presente como convidado na sessão de encerramento do conclave do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), salientou que a intervenção de João Lourenço foi "positiva", sobretudo por abrir as portas ao diálogo entre as forças políticas e a sociedade.

"Vimos o presidente João Lourenço bastante arrojado, corajoso naquilo que são as suas ideias, e vamos esperar que as coisas se traduzam na prática. Uma coisa é ler uma folha de papel em que se lê um discurso, e outra coisa é a prática, e só os próximos tempos vão poder demonstrar que temos uma liderança que faz diferente do que vinha sendo feito até agora", sublinhou à Lusa o vice-presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido da oposição.

Na intervenção que encerrou o congresso, o novo líder do MPLA, João Lourenço, também Presidente da República, reiterou hoje o combate à corrupção, nepotismo e bajulação em Angola, que declarou como "inimigos públicos número um", elogiando o líder cessante, José Eduardo dos Santos.

Pela primeira vez nos últimos 40 anos, um líder do MPLA lembrou os dois primeiros líderes do partido, Ilídio Machado e Mário Pinto de Andrade, ao agradecer a sua eleição como quinto presidente da força política que lidera Angola desde a independência em 1975, ao que juntou, os nomes de Agostinho Neto e Eduardo dos Santos.

João Lourenço foi hoje eleito presidente do MPLA, durante o sexto congresso extraordinário, com uma votação de 98,58%, correspondente a 2.309 votos a favor e 27 contra.

Ainda de acordo com os números divulgados pela comissão eleitoral, votaram 2.342 delegados ao congresso e registaram-se ainda seis abstenções.

A comissão eleitoral declarou que estas eleições - por voto secreto - foram livres, transparentes e justas.

João Lourenço, Presidente da República desde Setembro de 2017, ascende assim à liderança, também, do MPLA, partido no poder desde 1975.

Durante a manhã, o presidente cessante do MPLA, José Eduardo dos Santos, despediu-se das funções, assumindo que cometeu erros ao longo dos quase 39 anos no poder, mas garantindo que sai "de cabeça erguida".

No seu discurso como novo presidente do partido, João Lourenço reiterou o combate à corrupção, nepotismo e bajulação em Angola, que declarou como "inimigos públicos número um".

Hoje à noite, está a decorrer a reunião do Comité Central do partido para a eleição do vice-presidente, do secretário-geral e dos membros do Bureau Político.