Com capacidade para 60 mil pessoas, pouco mais de 30 mil assistiram à cerimónia, que iniciou com o Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, a seguir atrás do caixão até ao centro Estádio Nacional de Desportos de Harare.

O caixão, com os restos mortais de Robert Mugabe, foi colocado num pódio decorado com flores para que os chefes de Estado pudessem se despedir dele.

A viúva Grace, os filhos de Robert Mugabe e generais do exército seguiram o cortejo, sob música de uma banda.

“Nós, que permanecemos, continuaremos a ouvir a sua voz rica, corajosa, desafiadora e inspiradora, encorajando-nos e alertando-nos para sermos vigilantes e astutos”, disse Mnangagwa no discurso, sublinhando: “Uma árvore gigante da África caiu. Hoje a África chora”.

Walter Chidhakwa, que falou em nome da família Mugabe, disse que o antigo Presidente foi “um ícone determinado e inflexível na busca de políticas como a reforma agrária e, mais tarde, o programa de empoderamento económico dos negros”.

Mais de uma dezena de presidentes e antigos chefes de Estado marcaram presença no acto, que também teve a representação de vários países ocidentais e amigos de Harare durante a luta pela indepencência como Cuba e Rússia.

Ramaphosa apupado

Filipe Nyusi, Presidente moçambicano, também participou no funeral de Estado.

Entretanto, o destoar da homenagem a Mugabe aconteceu quando o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, preparava-se para discursar.

Ele foi apupado pela multidão devido à onda de violencia xenófoba que tem tido por alvo centenas de zimbabweanos.

O mestre de cerimónia foi forçado a apelar à multidão para permitir que Ramaphosa pudesse falar.

“Estou diante de vocês, como um colega africano, para expressar o meu arrependimento e pedir desculpas pelo que aconteceu no nosso país”, disse Ramaphosa, tendo sido então aplaudido.

Por seu lado o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, no Quênia, chamou Mugabe de gigante intelectual, “um líder visionário e um campeão incansável da dignidade africana”.

Robert Mugabe liderou a luta pela independência do Zimbabwe até 1980 e desde então foi primeiro- ministro e presidente até 2017, quando foi deposto por militares e pelo seu próprio partido Zanu-PF

Considerado herói da independência e africanista convicto, Mugabe, depois de 2000, tornou-se um autocrata que levou o país a uma profunda crise económica, além de uma onda de violações de direitos humanos.

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