A justiça japonesa já fez saber que está a preparar um pedido oficial de extradição para os dois homens detidos ontem nos Estados Unidos. Michael Taylor e Peter Taylor, pai e filho, suspeitos de terem ajudado o antigo patrão da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, a fugir à justiça em finais de 2019.

Michael Taylor, de 59 anos, antigo membro das forças especiais norte-americanas, especialista em segurança privada e o seu filho Peter Taylor, de 27 anos, foram detidos ontem de manhã, em Havard, no estado de Massachusetts.

Ambos compareceram, por videoconferência, numa sessão de tribunal frente a um juiz de instrução criminal de Boston. O Japão tem agora 45 dias para formalizar o pedido de extradição a Washington.

De acordo com a legislação americana, os Taylor podem pedir a libertação sob pagamento de caução. Mas os procuradores consideram que os dois homens apresentam um “elevado risco de fuga” para serem postos em libertado, alegando que Peter Taylor foi detido no momento em que se preparava para viajar para o Líbano, país onde se encontra refugiado Carlos Ghosn e que não tem acordo de extradição com o Japão.

Os dois homens e, ainda, o libanês George-Antoine Zayek são acusados de terem ajudado o ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi Motors a fugir da justiça japonesa, numa evasão ainda hoje envolta em mistério.

Acusado de fraude e desvio de dinheiro no Japão, aquele que foi um dos líderes mais poderosos do sector automóvel do mundo, detentor de tripla nacionalidade (francesa, linanesa e brasileira) estava em prisão domiciliaria, debaixo de fortes condições de segurança, enquanto aguardava julgamento.

De acordo com a investigação policial, Peter Taylor viajou para o Japão pelo menos três vezes desde Julho de 2019 e se encontrou com o ex-presidente da Nissan no mínimo sete vezes. Na véspera da fuga, Ghosn encontrou-se com Peter Taylor num hotel de Tóquio.

No dia seguinte, Michael Taylor teria viajado para o Japão num jacto privado dos Emirados Árabes Unidos, na companhia de George-Antoine Zayek, transportando duas grandes caixas pretas, alegadamente carregadas de equipamentos de áudio.

Caixas que terão sido utilizadas para esconder Ghosn.

Dois dias depois, a 30 de Dezembro de 2019, o ex-patrão da Renault-Nissan anunciou publicamente que tinha fugido das autoridades japonesas e se encontrava no Líbano.

Ghosn, acusado de má gestão financeira, alega que fugiu do Japão porque acreditava que não teria direito a um julgamento justo.

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